segunda-feira, 30 de março de 2009

Ver para além do olhar

Há locais que me emocionam. Podem ser concorridos, apinhados, agitados, e são-nos para muitos puramente impessoais, mas eu descubro neles muito mais do que uma mescla de corpos que se movimentam, ao reconhecer um leque de sentimentos camuflados que se escondem por detrás da aparente azáfama. Um desses meus locais de eleição são as chegadas dos aeroportos. Delicio-me a observar os comportamentos de quem chega e de quem ansiosamente aguarda essa chegada.

A observação de comportamentos é em mim um gosto inato que se tem revelado ditador de muitas escolhas pessoais e também aqui, na sala de espera de um aeroporto, me faz gostar de ver muito para além de olhar.

Não me considero incluida na categoria das pessoas lamechas mas há emoções que se me assomam com alguma facilidade. Digamos que tenho umas lágrimas a que posso chamar discretas mas cujo cloreto de sódio por vezes se exibe com alguma prontidão.

É por toda esta emotividade que não me custa nada ir buscar alguém ao aeroporto, mesmo quando o avião se atrasa, porque eu comodamente me sento a um canto e me alimento dos sorrisos de quem chega, das lágrimas felizes de quem espera, dos abraços alheios, das famílias inteiras que se reúnem e até das lambidelas saudosas de muitos canídeos que partilham a espera com os restantes elementos da família.

Há os reencontros românticos, há os que chegam cansados, há os que chegam ébrios de saudades, há os que recebem ramos de flores, há os que se beijam, os que apenas se entreolham, os que se apaixonam novamente. Mas há também os solitários, os indiferentes, os contrariados. Nas chegadas de um aeroporto há todo o repertório da conduta humana e dos afectos que lhe são inerentes.

E eu, eu quase que me esqueço que também espero alguém e que esse alguém também me reencontra e que dessa união resultará uma energia afectiva já não somente observada mas igualmente sentida e à qual se seguirá a pergunta da praxe “Então, gostaste?"

4 comentários:

Kitty disse...

É bom quando alguém nos espera!
:)
Beijinho

Anónimo disse...

Eu também partilho dessa empatia por aeroportos. Adoro ficar a observar os reencontros e não me chateia nada ir esperar alguém, por muito longa que seja a espera. Nos últimos meses a minha vida desenrola-se literalmente em aeroportos e às vezes dou por mim a ir até ao terminal apenas para sentir um pouco desta atmosfera de afectos, á qual acrescento a curiosidade de ouvir linguas desconhecidas, modos de estar e de vestir completamente diferentes e que me transportam para outras paragens. Não deixa de ser uma outra forma de viajar.

Eu simplesmente adoro!

Um grande beijinho.

Anna B.

Natacha disse...

Percebo-te bem e nutro o mesmo sentimento pelos aeroportos.
Gosto especialmente das "partidas" quando sou eu que parto, daqui noutras direcções...
Ou de outras direcções de volta a casa, onde, se bem te lembras, podem ocorrer situações bastante caricatas :)

Mas entendo na perfeição o que dizes sobre as "chegadas"...

Tenho saudades de um aeroporto ;))

Beijo

criolinha disse...

Post interessante amiga :D
Considero os Aeroportos não-lugares. São sítios impessoais, uns mais modernos ou maiores que outros mas todos muito parecidos. Apesar disso não me espanta a tua sensibilidade :D. Fez-me pensar que eu já cheguei de várias formas embora costume esperar quem chega confortavelmente sentada na minha viatura a ouvir musica à espera de um telefonema :P ;)

Muuuuuitos bjs!