segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Natal- parte I

A menos de um mês desta data carismática, não podia deixar de fazer um post sobre ela. Este será o primeiro deles e assentará numa visão um pouco crítica desta época.
Não pensem que sou daquelas aversas ao Natal mas confesso que a ápoca natalícia já não tem, sobre mim, o mesmo efeito reconfortante de outrora. Talvez o ditado de que "o Natal é para as crianças" se aplique a mim na perfeição pois a minha condição de adulta faz-me achar que esta é uma época adulterada nos seus princípios. Hoje, assiste-se, e utilizarei uma metáfora dos tempos actuais, à OPA da economia sobre a religiosidade, à permuta da afectividade pelo consumismo, à substituição integral da figura do menino Jesus, a génese do Natal, pelo figura comercial do Pai Natal, e criação da Coca Cola.
Contra mim falo nestas considerações, pois também eu me rendi à massificação do consumo e aos símbolos profanos do Natal, mas não sem sentir alguma tristeza no facto da sua essência estar a ser perdida. Não sendo uma pessoa propriamente religiosa considero que o Natal deveria ser uma época simbólica e o expoente máximo de uma forma de estar na vida, baseada na afectividade e no respeito pelo próximo. Hoje o Natal é excessivamente comercial, assente em demasia nas ofertas e na azáfama das compras. A alegria que desperta está demasiado concentrada no momento fugaz da abertura dos presentes.
Até a preparação da ceia de Natal caiu num minimalismo próprio dos dias de hoje, em que a correria das compras nos deixa pouco tempo para o resto. É que até as filhozes e as azevias que, noutros tempos eu fazia com a minha avó (e que saudades tenho tuas minha avozinha!), e que faziam dos preparativos da ceia de Natal, um espaço único de convívio familiar, são hoje comodamente encomendadas no café perto de casa.

9 comentários:

cris disse...

Revejo-me plenamente neste teu texto, que mais uma vez é brilhantemente bem escrito!
Beijocas

cris disse...

Revejo-me plenamente neste teu texto, que mais uma vez é brilhantemente bem escrito!
Beijocas

Mary disse...

Olá! Não senhor, eu continuo a fazer as filhoses de Natal em casa. Não sei ainda como vai ser este ano uma vez que vou sair do hospital a 22 e não sei como será a minha disposição mas pelo menos vou dar apoio moral à minha mãe.
Bjs

Bia disse...

Tens toda a razão! gosto da maneira como expões o assunto! Bjinhos fofos.

ALEXIA disse...

Toca a mudar tudo, não compras nada, fazes, não há lugar a grandes compras mas sim a pequenas lembranças.....é assim que faço e é assim que me cheira ao Natal dos velhos tempos, ao verdadeiro Natal em que o que importa é a familia junta

beijocas

Maria disse...

Podemos ser uma excepção mas, cá em casa, não se compra nada feito! Até o Bolo-Rei costumamos fazer! Para mim, Natal também é passar horas e horas na cozinha, a conversar, a pestiscar, a ser família! Nunca me passaria pela cabeça comprar tudo feito, nunca teria o mesmo sabor.

Beijocas grandes!

Elsa disse...

Como tudo o que escreveste é verdade!

Onde anda o espírito de Natal?! Queria recuperá-lo...quem sabe um dia o consiga.

Jinhos grandes,
Elsa

Anna72 disse...

Muito bem escrito! Subscrevo inteiramente!

Lá em casa ainda se fazem as rabanadas e demais doces de Natal, com excepção do bolo-rei.

Beijocas

Clara Sonhadora disse...

O que poderia ser chamado quality time, em família e amigos, é banalizado sob pretexto do que comprar a quem, dos doces que até fazem mal, ao despachar da coisa pois são que horas, é um corre-corre nas lojas, em casa, em vez de ser uns dias em família, sossegados, é 1 caos de prioridades, também...infelizmente.
E o meu espírito de Natal este ano ainda nem à porta bateu.