Eu sou um exemplo de moura que gosta muito do Porto. Depois de ter visitado esta cidade inúmeras vezes em trabalho, só mais tarde descobri que os olhos que se levam quando se visita uma cidade em trabalho não são os mesmos que se levam quando se a visita em lazer. Refeita da miopia que durante anos me assolou, aprendi a gostar, e muito, desta cidade que vive enamorada do seu rio Douro e que tem nas ruas que dele circundam, os seus pontos atractivos. Por isso não passo um ano sem a visitar porque a sua dinâmica forte permite que a cada ano conheça espaços novos capazes de satisfazer as mais variadas exigências de procura.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Pedaços de Portugal por estes dias
segunda-feira, 9 de junho de 2008

Não ando nas marchas mas não resisto aos manjericos e à sardinha assada, não passeio por Alfama nestes dias de muita afluência mas gosto de saber que as suas ruas estão enfeitadas, envoltas em animação e num frenesim festivo.
Não vivo estas festas no seu âmago mas gosto de as sentir por perto, como se a sua presença me transportasse para os tempos em que estas marcavam o início das férias escolares e das idas frequentes à praia, do convívio na rua nas noites quentes, de uma paz interior que só na meninice se sente.
A vivência dum costume popular numa cidade cada vez mais impessoal e urbana como Lisboa revela que é possível coexistirem os dois mundos oferecendo a quem nele vive a modernidade em convivência pacífica com a tradição.
sábado, 7 de junho de 2008
domingo, 1 de junho de 2008
E o prometido...
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Ao S. Pedro em 2 registos
Ao Sr. que tem a tutela do tempo, solicito que sejam executadas céleres medidas que ponham termo a condições atmosféricas inconciliáveis com o bem estar da população, sob pena de estar a comprometer a felicidade pública de um pais que já tem fama de melancólico.
Registo Informal
Ó São Pedro, nós prometemos que este ano não damos tanta bola ao o S. João e ao S. António e fazemos uma festança em seu favor, se nos fizer chegar o Solinho de que tanto gostamos e que nos faz encher esplanadas e praias. É verdade que os santos populares são três e que quando chega à sua data já está tudo mais murchinho mas da minha parte ficam já reservadas em sua honra as sardinhas no pão e um verso no manjerico.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Porque existem pessoas com lugares cativos na nossa vida, estar com elas é algo especial.
Apesar daquilo que nos aproximou não ser algo fácil de aceitar, o que nos une é uma amizade bonita e sincera que mostra que mesmo os acontecimentos menos bons são capazes de nos oferecer aquilo que de mais precioso a vida tem.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Por onde me movo
A capacidade de apreciar eternamente aquilo que tão bem conhecemos transmite uma felicidade tranquila e estruturante.
terça-feira, 13 de maio de 2008
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Gosto! #2
sábado, 26 de abril de 2008
The aromatic Big Apple
Sei que corro o risco de ser redundante com palavras de tantos outros mas a cidade that never sleeps tem charme suficiente para conquistar a fidelidade ao mais exigente dos viajantes. No que a mim me diz respeito posso dizer que fui completamente conquistada por uma cidade que me mostrou ser repleta de armas de sedução.
Desde que me recordo que NYC é uma cidade em agenda na minha mente, daquelas cuja visita seria impreterível, mas que pelos mais diversos motivos havia sido sempre adiada. Apenas agora tive a oportunidade de pisar pela primeira vez o seu solo e é fantástico poder dar uma dimensão real à cidade de que apenas dispunha da versão cinematográfica.
Nova Iorque a cidade que parece ser feita de peças de lego estrategicamente colocadas, a cidade em que as ruas não têm nomes mas números, que a torna invulgar e inconfundível, é uma cidade real, cheia de vida própria e de forte personalidade. Mas é precisamente neste binómio de cidade autêntica e verdadeira que em simultâneo me parece feita de peças de brincar que lhe conferem toda uma fotogenia e constante cenografia, que descubro a base do seu encanto e que me sinto verdadeiramente seduzida. Depois vem o facto de sentir que NYC gosta de quem lá vive e de quem a visita e é nesta reciprocidade de sentimentos que a fidelidade surge e por isso compreendo tão bem quem todos os anos a visite.
Não é comum visitar-se uma cidade em que se gosta de tudo, em que nos revimos no seu estilo de vida, em que nos sentimos inteiramente bem naquilo que ela nos oferece. Em Nova Iorque isso foi possível e vejo-me na impossibilidade de enumerar todos os motivos porque por vezes é moroso o processo de passar a palavras tudo aquilo que se sente.
Talvez tenha sido a sua forte paisagem urbana, talvez tenham sido os táxis (yellow cabs) que governam as suas ruas, talvez tenha sido a descontracção e simpatia das suas gentes, talvez tenha sido a sua oferta cultural, talvez tenha sido a sua oferta de tudo colmatando a mais pequena necessidade, talvez tenha sido o aroma do Central Park e assistir ao Cherry blossom, talvez tenha sido o desmistificar de alguns mitos como o fast food ser sinónimo de junk food quando os nova iorquinos são exímios na comida pré-preparada (o localmente denominado to go) mas de muita qualidade e boa aparência. Talvez tenham sido as suas lojas capazes de agradar aos mais variados gostos e carteiras, talvez tenha sido a heterogeneidade de raças e a diversidade de línguas, talvez tenha sido o tempo, talvez tenha sido eu, talvez tenha sido muito mais.
Este enamoramento com que vi desta viagem pode até arrefecer, ou ver-se diminuído numa próxima (e espero que em breve) visita, mas tanto quanto é possível gostar de um local eu gostei deste e por isso ouso proferir as palavras de Vinicius de Morais a propósito do amor e que este enamoramento "não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure".
sexta-feira, 25 de abril de 2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
De malas prontas
domingo, 13 de abril de 2008
Vai um palmier?

segunda-feira, 7 de abril de 2008
Gosto!
“Golden Era” - Rita Redshoes
Com um disco com o amor (love) como tema de fundo deixo aqui o registo da letra de uma das minhas músicas preferidas
Choose Love
I choose to hide
But I look for you all the time
I choose to run
But I'm begging for you to come
I wanna break
But I know that you can take
I stay a while
To be sure that you're by my side
Oh, oh
Don't look at me, just look inside
'Cause I can go through
Tell me, are you goin' tired
Of what I don't do
I wanna see, I wanna fight
'Cause I don't feel scared
Honey, if you care
I choose to find
Things that you left behind
I choose to stare
But I can take you anywhere
I wanna stay
But my soul leaves you anyway
Can close the door
And love, could you give me more
Don't look at me, just look inside
'Cause I can go through
Tell me, are you goin' tired
Of what I don't do
I wanna see, I wanna fight
'Cause I don't feel scared
Honey, if you care
Choose love, choose love, love
Choose love, choose love, oh
Don't wanna hear, I wanna fight
'Cause this time I won't be wrong
And I can waste this precious time
Asking where do I belong
So let me know your love is real
'Cause this time you won't control
Tell me please, what do you feel
Do I have to save your soul
Choose love, choose love, love
Choose love, choose love
Choose love, choose love, love
Choose love, choose love
Choose love, choose love, love
Choose love, choose love
Choose love, choose love, love
Choose love, choose love
Choose love, choose love, love
Choose love, choose love
Choose love, choose love, love
Choose love, choose love
quinta-feira, 3 de abril de 2008
terça-feira, 1 de abril de 2008
Avó
sexta-feira, 28 de março de 2008
Se...
terça-feira, 25 de março de 2008
Exteriorizações
Não posso, nem quero, estar à mercê de subtilezas que para mim se tornam tão cruéis. Recuso-me a ser povoada por emoções negativas que me enfraquecem e não me deixam aproveitar o que há de bom na vida. Onde anda o meu cérebro racional que foi tiranizado pelo emotivo? Onde anda a minha clarividência que me deixou às escuras sem conseguir ver que a vida não tem de ser vivida conforme os nossos planos porque existem as boas alternativas?
Este desabafo não é uma manifestação de tristeza, pelo contrário, é uma evidência de que acredito na alegria mas que gostaria muito mais de a viver sem estas fragilidades.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Porque gosto quando ela se aproxima

O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!
Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida... não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!
Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera...
Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...
Florbela Espanca
segunda-feira, 17 de março de 2008
Às vezes penso...
Às vezes penso e concluo, que apesar de nem sempre poder ir pelo caminho que desejo, posso sempre escolher a forma como percorro o outro.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Encontro-me numa fase em que os dias são intensos pelo seu nível de exigência mas simultaneamente compensadores por permitirem que um preâmbulo seja vivido com maior leveza.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Lua
Hoje no meu caminho enamorei-me pela Lua. Lá estava ela dando luz à minha viagem e deslumbrando o meu olhar. Sou fiel no amor que lhe tenho mas hoje, adornada com um manto de tule, surpreendeu-me ainda mais pela sua beleza.
Gosto de coisas assim, ainda que tapadas, ainda que sem se mostraram em todo o seu esplendor, não deixam nada nem ninguém indiferente. Gosto de tudo aquilo que fascina sem ter de revelar os seus segredos.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Mundos
Ora há uns tempos sai do trabalho e fui direitinha ao IKEA. Não me recordo se ia com compras em vista ou se ia apenas com o intuito de ter um momento só meu infiltrada no meio de uma mol de objectos decorativos. Também para o caso pouco interessa, porque o importante é que mal lá cheguei entrei naquele autismo típico de quem anda às compras e só tem olhos para as prateleiras e mãos para pegar em tudo o que lhe apetece e pôr, ou não, no saco. Estava eu num destes momentos de puro deleite, a observar cuidadosamente um qualquer objecto pelo qual me enamorei, quando ouço um “Olá” seguido do meu nome. Apesar de fortemente concentrada na minha tarefa, a audição do nome que me caracteriza afastou-me do prazer mundano a que me dedicava e fez-me olhar para o lado. Já um pouco frustrada por esta interrupção abrupta, reparo que quem me chama não é uma pessoa amiga ou conhecida pertencente ao mundo do lazer mas sim uma pessoa do mundo do trabalho. Para o meu cérebro esta conjugação IKEA-trabalho causa alguma dissonância e portanto fez imediatamente questão de a eliminar dando-me como reacção tratar essa pessoa por tu (algo que não acontecia), como que para implicitamente a alertar da informalidade do nosso encontro. No entanto, a outra pessoa, que concerteza teria um cérebro menos dado a estas esquisitices, não fez por menos e ignorando qualquer assunto que se pudesse relacionar com o local onde estávamos, tratou de me abordar única e exclusivamente, e pior ainda de forma persistente, com temas dedicados ao trabalho.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Para mim o processo de escrever é algo muito intimista, um processo de enamoramento por cada palavra. Quando criei este blog não quis de todo que fosse um blog de escrita rápida, onde simplesmente depositasse fragmentos do meu pensamento. Quis antes que estas minhas projecções mentais passassem por um filtro de malha fina e que fossem embebidas de algum conteúdo metafórico e, porventura, de alguma poesia. Não encarem isto como pretensiosismo, mas antes como uma forma de terapia. O floreado na escrita apazigua-me pois parece que quase inerentemente embeleza os acontecimentos nela relatados, conciliando as adversidades da vida com o seu lado poético. Abordar desta forma os meus momentos e os meus aromas tem funcionado para mim como um aconchego e um confronto com um lado (mais) belo da vida.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Tempo de novo ano
Estávamos portanto em 1983 e o ano 2000 afigurava-se tão distante que dificilmente me conseguia imaginar a mim e ao mundo por essa altura (ainda que por essa época fosse fortemente influenciada pelo “Espaço de 1999” e achasse que o estilo de vida na mudança de milénio passaria por vivermos em naves e vestirmos fatos colados ao corpo).
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Mas porque é que esta vontade enorme de oferecer presentes, de estar com os outros, de mandar postais, de marcar almoços e jantares, de enfeitar as casas, de preparar uma refeição mais aprumada, de mandar SMS com votos de felicidade, de comprar bolo Rei e azevias, de vestir roupa nova, de reunir a família, só acontece nesta altura do ano?
Porque é que este espírito, se é sincero, não se há-de diluir por todo o ano, perpetuando a magia que nele existe?
Acho que o gosto pelo bonito, pela amizade, pelo amor, pelo companheirismo, pelo agradar os outros e ser agradado não se deveria guardar numa caixa que unicamente é destapada quando chega a Dezembro, permanecendo hermeticamente fechada no resto do ano.
Gostava que o Natal fosse o reflexo de uma forma de vida e que essa forma de vida fosse um reflexo de uma motivação intrínseca e não meramente comercial.
Por isso os meus votos de Natal são para que deixem a caixa destapada e que façam dos bons afectos do Natal os afectos de toda uma vida.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Tarde de Outono
Num país onde se vem desvanecendo a tradição de fazer compras no comércio de rua e de deambular pelos centros históricos das cidades, ver a azáfama e o corrupio das gentes que por aqui passa, faz-nos acreditar que afinal o gosto por passear sem tecto, não está inteiramente perdido.
Começo pelo Largo Camões, percorro algumas ruas do bairro alto satisfazendo o meu lado alternativo e depois vou descendo a rua Garrett, fazendo incursões pelas suas transversais ao mesmo tempo que respiro o aroma a castanhas assadas e a conversas alheias.
Os sacos vão-se acumulando nos meus braços e o frio que se começa a fazer sentir torna-se um bálsamo face ao calor das lojas. Demoro-me e prolongo a minha estadia pelos locais em que me sinto bem, sem pressas e sem ambição de me evadir daquele local, porque não é sempre que se vem ao Chiado num final de tarde de Outono.
Termino a minha viagem seguindo o aroma do melhor café do mundo e dele trago o suficiente para satisfazer o meu desejo. Faço o caminho inverso levando a magia como companhia.
Regresso a casa algo cansada mas leve na minha alma.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Porque cada pessoa é única pra nós,
E nenhuma substitui a outra...
Cada um que passa em nossa vida, Passa sozinho,
Mas não vai só...
Cada um que passa em nossa vida,
Leva um pouco de nós mesmos,
E nos deixa um pouco de si mesmo...
Há os que levam muito,
Mas não há os que não levam nada...
Há os que deixam muito,
Mas não há os que não deixam nada...
Esta é a mais bela realidade da vida.
A prova tremenda da importância de cada um,
É que ninguém se aproxima do outro por acaso....
Antoine de Saint-Exupéry
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Procuro-te...
Procuro-te tanto mas o caminho tem tantos sobressaltos que num ímpeto dou por mim a cair.
Anseio-te tanto que me sinto alienada do mundo, adulterada nos meus sonhos e transportando comigo uma coragem que tende a se esgotar.
Desejo-te tanto que me esqueço de mim e dos outros, preterindo quem me ama e fazendo da tua busca a minha finalidade.
Procuro-te, procuro-te tanto que dói, que não tolero a tua não existência, que desespero enquanto espero.
Mas será que realmente existes? Será que também estás à minha espera? Será que anseias tanto como eu?
Se ao menos chorar bastasse, se ao menos as lágrimas encurtassem o caminho, eu poderia sentir que diminuia a nossa distância.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Por essa Lisboa
Adoro passear pelos bairros típicos de Lisboa, adoro as ruas apertadas, a calçada portuguesa, o labirinto das vielas;Adoro perder-me para encontrar pequenos tesouros, adoro o contraste da cidade cosmopolita com a simplicidade das suas gentes;
Adoro as casas, as roupas estendidas, as floreiras e os gatos à janela, adoro olhar e ver um postal ilustrado;
Adoro os nomes castiços das ruas, as escadas, os pátios e os miradouros, o olhar de quem placidamente observa;
Adoro usufruir durante a semana de uma Lisboa movimentada e agitada, para ao fim de semana relaxar com uma Lisboa serena.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Rir é o melhor remédio
Com esta fórmula fantástica, e uma magnífica sala cheia, o resultado só poderia ser o de potentes gargalhadas. Recomendo vivamente, mais que não seja para sair de lá a trautear a célebre música do filme “A vida de Bryan”, no original “always look at the bright sight of life” e agora traduzida para a língua de Camões:
“Olha sempre para o lado fixe da vida, lala lalalalalala”
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Metáfora perfeita
A calma do lado de dentro, a música chill out, o trautear baixinho e suave, a condução prudente;
Dois mundos auto-estrada fora e os dois mundos em mim.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Meu pensar
A doer aquela dor que na realidade não existe
Mas que ainda assim persiste
Penso, penso tanto que não controlo
Que me deixo dominar por aquilo que cogito
Mas ainda assim abafo o meu grito
Penso, penso tanto que me apetece fugir
E escapar aos vícios deste fiel pensamento
Mas ainda assim oprimo o lamento
Por isso me canso, de tanto pensar, de tanto correr
Numa corrida veloz em que permaneço parada
Mas que ainda assim me mantenho na estrada
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Eu e os gatos
Dêem-me jarras partidas e tapetes mal estimados
Dêem-me caixotes de areia e pegadas nas bancadas
Dêem-me sofás forrados a pêlos e miados fora de horas
Dêem-me despertares antecipados e correrias pela casa
Dêem-me plantas mordidas e vasos atacados
Dêem-me arranhões nos braços e valentes teimosias
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Efeito pavloviano
Gulosa como sou, este utensílio de cozinha é, para mim, uma verdadeira perdição. E foi por olhar para ele que um belo fim de semana cheio de Sol ficou ainda mais doce.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Ecos
Já perdi a conta às vezes que:
- Os meus pensamentos caminharam na mesma direcção proibida,
- Os meus sorrisos disfarçaram lágrimas e as minhas lágrimas foram preâmbulos de sorrisos,
- Dei a mão à esperança para depois a perder e para depois a reencontrar,
- Fui invadida por uma ansiedade paralisante, resistente a gestos e a palavras,
- Me senti sufocar numa existência toldada,
- Temi ouvir certas palavras e encarar determinado futuro,
- Pensei em falar, para depois me esconder, para decidir omitir,
- Tentei sair de mim e constatei que é impossível,
- Renasci e que encontrei forças das quais desconheço a origem,
- Me ouvi a mim própria em lamúrias, em vozes introspectivas, numa aflição desgovernada,
- Decidi pela vida, pela felicidade e pelo meu bem-estar,
- Perdi as referências para me reencontrar em pequenos significados,
- Constatei que me encantam as pequenas boas surpresas,
- As minhas palavras não chegam mas que me emociono com as palavras dos outros.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Aroma a Outono

É nesta altura que inicio o meu processo de mentalização para o iminente contacto com o frio, algo que verdadeiramente não gosto, e engano o meu cérebro procurando as vantagens que só este tempo me oferece. É que quando sinto frio não sinto mais nada, o frio ofusca-me todas as demais sensações que possa experienciar, agindo como um tirano perante os meus sensores. Dêem-me frio e fico inerte, dêem-me calor e ressurjo.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Construir o optimismo
Tal como para a maioria dos portugueses o optimismo em mim não é inato, nem fruto da minha educação. Não fui educada para acreditar que tudo acabará bem nem cresci somente a ouvir falar de contos de fadas. Pelo contrário, o meu optimismo tem sido construído (à custa de muitas crises) e é fruto da minha força de vontade e da minha crença de que se viver não é fácil mais difícil é se não formos felizes e para sermos felizes temos de ter algum optimismo perante a vida.
Esforço-me por isso a cada momento por conseguir impor algum humor às situações adversas da minha vida e em retirar delas ensinamentos, em controlar os meus pensamentos destrutivos e em dar vida aos construtivos, em orientar as minhas emoções para actividades edificantes, em imprimir a esperança no meu quotidiano e a prossecução de sonhos, em ser capaz de gerir o meu destino e não ficar à mercê de uma existência que não escolhi.
É certo que não são excepções as vezes em que me sinto a lutar contra uma maré, a querer construir um percurso que o acaso destrói, em querer voar com as asas cortadas. Nessas situações tenho de voltar a insistir, porque o optimismo também se constrói de persistências.
Por isso tenho pena que a educação para o optimismo não seja uma prática na nossa sociedade e que o ditado “tristezas não pagam dívidas” não passe de um cliché, que inúmeras vezes se diz, mas que raramente se cumpre.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Um copo vazio está cheio de ar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
É sempre bom lembrar
Que o ar sombrio de um rosto
Está cheio de um ar vazio
Vazio daquilo que no ar do copo
Ocupa um lugar
É sempre bom lembrar
Guardar de cor
Que o ar vazio de um rosto sombrio
Está cheio de dor
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
Que o ar no copo ocupa o lugar do vinho
Que o vinho busca ocupar o lugar da dor
Que a dor ocupa a metade da verdade
A verdadeira natureza interior
Uma metade cheia, uma metade vazia
Uma metade tristeza, uma metade alegria
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
Gilberto Gil
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Páginas lidas
A valsa do adeus- Milan Kundera
A máquina- René Belletto
O monte dos vendavais- Emily Brontë
O ensaio sobre a cegueira- José Saramago
Crónica de uma morte anunciada- Gabriel Garcia Marques
Uma conspiração de estúpidos- John Kennedy Toole
A família- Mario Puzo
A sangue frio- Truman Capote
A filha do capitão- José Rodrigues dos Santos
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Dias

Os dias sucedem-se mas não há sucessões nos meus pensamentos,
Os dias esvaem-se mas permaneço eu, imutável nas minhas cogitações ,
Os dias amanhecem serenos mas vão-me furtando as armas para lutar contra os meus anseios e receios,
Os dias correm e perpetuam as suas marcas,
Porém…
Afasto a raiva e desprezo o pessimismo,
Desencadeio com a esperança uma bela amizade,
Deixo-me contagiar pela alegria dos outros e apelo à extroversão da minha própria alegria,
Focalizo-me no resultado final e contenho as minhas lágrimas,
Sonho com o que posso alcançar e regozijo-me com as boas emoções que isso me dá,
Alimento-me de expectativas e também de sobressaltos,
Deixo-me embalar pelo amor que a vida me oferece,
Tento crescer, progredir, sorrir e aprender a não definhar,
E assim os dias passam por mim
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Epílogo das férias
houve Sol e houve chuva;
houve água salgada e houve água doce;
houve estrelas no céu;
houve água morna e houve água fria;
houve livros e houve música;
houve gargalhadas e houve conversas;
houve descanso e houve pensamentos;
houve passeios à beira rio e houve descoberta de locais desertos
houve cultura e houve retratos
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
No meu armário...

O fato cor de esperança, que me foi oferecido por quem me rodeia, que me fica bem, que é detentor de um corte intemporal e que por isso deverei estimá-lo para que dure toda uma vida;
O fato de tons alegres, que foi feito à minha medida, que combina na perfeição com o fato cor de esperança, mas que é feito de um tecido demasiado sensível que por se amarrotar e se manchar com excessiva facilidade, nem sempre é fácil vesti-lo;
O fato de cor triste que me foi oferecido pela vida há uns anos, que não gosto, que não me favorece, que não enaltece o que de melhor há em mim, mas que infelizmente é o único que me serve em muitos dos meus dias;
Hoje visto o facto cor de esperança, amanhã espero vestir o de tons alegres para que num futuro próximo me possa desfazer do de cor triste.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o Mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!...
Florbela Espanca
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Neste momento...
Há pessoas que nascem, há pessoas que morrem
Há quem veja o Sol a pôr-se, há quem assista ao seu nascer
Há beijos de amor e há beijos de falsidade
Há palavras doces e há lágrimas salgadas
Há pessoas que adormecem e há pessoas que despertam,
Há aqueles que gritam e há aqueles que se lamentam
Há aqueles que se resignam perante a dificuldade e há aqueles que lutam perante o impossível,
Há aqueles que brincam e há aqueles que destroem
Há os que trabalham e há os que estão de férias,
Há os que lêem o que os outros escrevem e há os que escrevem para os outros lerem,
Há quem ouça música e há quem a toque
Há os que ensinam depois de terem aprendido e há os que aprendem para depois ensinar
Há quem olhe e não veja e há quem veja mesmo sem olhar
Há quem goste de si e dos outros,
há quem goste só dos outros, há quem goste só de si
Há quem simplesmente não goste
Há os que amam e há os que odeiam
Há quem faça guerra e há quem construa a paz
Há quem plante flores e há quem incendeie florestas
Há quem se case e prometa amor eterno, há quem não acredite em promessas
Há quem ouça e há quem escute,
Há quem espalhe aromas e há quem os colhe
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Pequenas (grandes) irritações
- As férias que nunca mais chegam e os colegas que já foram, já vieram e já voltaram a ir, antes de mim;
- O trânsito que mesmo em época de férias, não diminui e que insiste em ser uma desgraça às 6ªas à tarde. Porque é que quem entra de férias não escolhe o sábado para viajar e escolhe sempre a hora de ponta de 6ª dificultando a vida a quem quer, somente, ir para casa?
- A incerteza quanto ao tempo que vai estar amanhã. Não me lembro de um Verão que gostasse tão pouco de dar nas vistas.
- O apoio à natalidade dado por este país, é caso para dizer para grandes problemas soluções insuficientes;
- Querer comprar algo e simplesmente não conseguir porque esse algo não existe tal como é publicitado. E agora que eu já vi, já escolhi e já me apaixonei dizem-me que não é possível porque não foi homologado. Que palavra mais sem graça para quebrar este estado de paixão em que me encontrava.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Fotos
Não, não foram os tradicionais papparazzi, que o meu estatuto não é de estrela, mas outros fotógrafos que se encontram criteriosamente espalhados pela cidade de Lisboa e que dão pelo nome de radares. É que a capital encontra-se numa sessão fotográfica ininterrupta e quem não quiser entrar na foto, o que é compreensível porque na realidade elas são bem carotas, não pode mesmo passar dos 50Km/h, nem que seja por 10Km/h como foi o meu caso.
Será que ao menos apanhou o meu melhor perfil?
sexta-feira, 13 de julho de 2007
O entusiasmo
Gosto dele. Gosto de o ter e de o manter. Gosto do que ele me faz sentir. Gosto de estar assim.
domingo, 8 de julho de 2007
De alma cheia
a esfusiante alegria e o mais sublime prazer de ter recebido a mais bela prova de amor e de amizade.
A todos os que contribuíram para o magnífico livro de homenagem à minha pessoa, os meus mais sinceros e sentidos agradecimentos. Estão no meu coração e os vossos comentários estarão em mim perpetuados.
Em especial agradeço ao seu autor, que é em simultâneo o autor dos meus momentos felizes e o aroma que dá sentido a todos os aromas da minha vida.
Para quem por aqui me lê deixo uma foto do livro que é uma ode à vida, ao amor e à amizade e que foi escrito pelas principais pessoas da minha vida.

A que cheiram as palavras?
A que cheiram as dores e as lágrimas?
A que cheiram os olhos cheios de alegria numa cidade nova?
A que cheira o amor?
A que cheiram a calma e a pureza de espírito?
A que cheira a vontade?
A que cheira a amizade?
Cheira a amora.
E para quem gosta, é um amor de aroma esse aroma de amora.
Como quem faz desse aroma um sentido de se lhe seguir o cheiro.
Como quem lê nesse cheiro palavras doces.
Estou de alma cheia.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
A poucos passos
Gosto de fazer anos e não alimento o preconceito de que a partir de certa idade já não se comemora. Não que o acto de envelhecer me seja totalmente indiferente, mas acho que para me aperceber que estou a envelhecer não é preciso fazer anos, há outros sinais bem mais visíveis no espelho, e mesmo com esses tenho convivido bem. Afinal de contas porque nos havemos de preocupar em demasia com algo tão inevitável e irreversível como é o passar do tempo, ao invés de investirmos na possibilidade de termos um dia, ou uma vida, feliz? Porque não moldarmos a nossa atitude no sentido de acreditarmos que o envelhecimento não implica caducidade para a vida e que mesmo num corpo (mais) velho pode haver um espírito jovem?
Acho que é fundamental comemorar aquilo que realmente importa e não há data mais marcante do que aquele que assinala a nossa entrada nesta vida. E quando digo comemorar não me refiro propriamente a dar uma festa, a comemoração pode ser pessoal e introspectiva, mas implica necessariamente renunciar à indiferença por esse dia. Nem que seja oferecer-se a si mesmo uma boa dose de mimos.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Despertares e despertadores

No entanto, por via das dúvidas programo sempre o rádio para tocar porque, não sendo este o principal motivo por que acordo, as músicas e a energia que quem trabalha na rádio já tem às 7h30m da manhã, são o necessário para a minha adrenalina ficar invejosa e ganhar a lábia suficiente para me convencer a levantar. Estratégia excelente sabendo de antemão que o desapego à cama é sempre um momento muito difícil e que requer muita coragem.
Mas o que eu gosto mesmo é de acordar com a Natureza, com a entrada dos primeiros raios de Sol e com o cantar dos passarinhos. A acumular a isto tenho sempre o meu gato que ao perceber que estou na fase de despertar entra em conluio com a Natureza e numa sinfonia, confesso que nem sempre harmoniosa, inicia o seu peditório por comida, e digo-vos que se há gato com capacidade de persuasão, é o meu.
Não sei se é por saber que aprecio estas coisas da Natureza que tenho agora uma amiga andorinha que se encheu de amizades com o meu parapeito da janela e resolveu oferecer-me pela madrugada (mas bem madrugada ainda) umas belas serenatas. Gosto imenso desta proximidade e deste despertador natural e personalizado mas apenas gostaria que ela não fosse tão madrugadora. É verdade que não se pode ter tudo mas será que a convenço a atrasar um pouco o início da sua cantoria? Secalhar vou tomar de empréstimo o poder de persuasão do meu gato, sempre pode ser que resulte.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Será?
terça-feira, 5 de junho de 2007
Falar de felicidade
Creio que é mais fácil ser-se feliz quando se tem as necessidades e os desejos concretizados, quando se obtém aquilo que se quer ou quando se retira prazer de uma qualquer acção que se faz. Mas, para mim, este não é o verdadeiro desafio da felicidade. Esta é a felicidade garantida mas também com efemeridade assegurada. É sabido que o ser humano é insatisfeito por natureza e que após a satisfação de uma necessidade básica se direcciona para a satisfação de uma necessidade de nível superior e assim prossegue numa busca sem fim. Se a felicidade dependesse exclusivamente da satisfação de necessidades não poderiam existir pessoas satisfeitas que não fossem felizes nem pessoas felizes que não estivessem satisfeitas. A verdade é que a felicidade é mais exigente do que isso, para singrar faz-se valer da nossa actuação perante a vida.
Por isso, e excluindo obviamente a presença de acontecimentos tão trágicos em que seria, de todo impossível ficar-se feliz, a não ser que estivéssemos perante um caso de frieza patológica de sentimentos, possuo algumas crenças relativas à felicidade. Eu acredito que a felicidade não depende do acontecimento em si mas da atitude pessoal perante o acontecimento, eu acredito que a felicidade pode ser trabalhada e decidida, eu acredito que posso escolher ser feliz e acredito que é possível ser-se feliz na contrariedade, na frustração e na dificuldade.
Eu acredito que na felicidade podem haver momentos de tristeza, numa coexistência pacífica, desde que moderados por alguém disposto a ser feliz.
Mas também acredito que a predisposição para a felicidade tem de ser alimentada, pois não sobrevive à escassez daquele que é o alimento universal. Falo do amor, do amor em todas as suas formas, do amor dirigido aos outros e a si mesmo.
E por aqui me permito terminar esta prosa, defendendo com a eloquência que a minha escrita me permite:
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Mas afinal o que é isto da felicidade? Será alegria, prazer, bem-estar ou necessitará de alguma alquimia de que poucos conhecem a fórmula? Será a felicidade o motor impulsionador de toda a actividade humana? Existiremos para sermos felizes ou a existência poderá estar desvinculada da felicidade? Poderemos ser felizes sem nos apercebermos ou para haver felicidade tem de haver percepção dessa felicidade?
Gostaria de conhecer a opinião dos que me lêem acerca deste assunto por isso lanço-vos o desafio. Afinal o que é para vocês isto da felicidade?
NOTA: Decorre na culturgest uma conferência subordinada a este interessante tema. Vale a pena dar uma escapadela.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada.
Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão. Não me pode pesar muito o ter deixado de ser imperador romano, mas pode doer-me o nunca ter sequer falado à costureira que, cerca da nove horas, volta sempre a esquina da direita.
O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece”
Fernando Pessoa
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Se...
Se fosse uma hora do dia, seria: 6h da tarde, a transição entre a agitação do dia e a serenidade da noite
Se fosse um astro, seria: O Sol pois claro, o estimulador natural de serotonina
Se fosse uma direcção, seria: a mais procurada, a direcção da felicidade
Se fosse um móvel, seria: de design italiano
Se fosse um líquido, seria: uma lágrima de alegria
Se fosse um pecado, seria: um bolo de chocolate
Se fosse uma pedra seria: pedra filosofal
Se fosse uma árvore, seria: uma azinheira numa paisagem alentejana
Se fosse um fruto, seria: esta é fácil, já sou…uma amora
Se fosse uma flor, seria: um molho de tulipas brancas
Se fosse um clima, seria: tropical porque me incomoda o frio e simpatizo com o calor
Se fosse um instrumento musical, seria: o piano do Keith Jarret
Se fosse um elemento, seria: o 5º elemento
Se fosse uma cor, seria: azul turquesa porque são azuis as coisas mais bonitas do Universo
Se fosse um animal, seria: uma cegonha, porque as que eu conheço andam muito desorientadas
Se fosse um som, seria: o som do mar
Se fosse uma música, seria: “your love alone is not enough”- Manic Street Preachers para agradar ao ouvido de quem amo
Se fosse um estilo musical, seria: fusion
Se fosse um sentimento, seria: cumplicidade
Se fosse um livro, seria: de poesia de Fernando Pessoa
Se fosse uma comida, seria: gelado de frutos silvestres (com amora claro)
Se fosse um lugar, seria: um porto seguro, onde sempre nos sentimos bem
Se fosse um gosto, seria: bom gosto
Se fosse um cheiro, seria: aroma de amora
Se fosse uma palavra, seria: uma palavra amiga, daquelas que sempre gostamos de ouvir
Se fosse um verbo, seria: um verbo transitivo
Se fosse um objecto, seria: algo desenhado pelo melhor designer que conheço
Se fosse uma peça de roupa, seria: da Prada, só assim a conseguiria
Se fosse uma parte do corpo, seria: os olhos, a expressão máxima dos afectos
Se fosse uma expressão facial, seria: um olhar apaixonado
Se fosse uma personagem de desenhos animados, seria: a fada Sininho, pela magia
Se fosse um filme, seria: uma longa metragem
Se fosse uma forma, seria: qualquer forma de amor
Se fosse um número, seria: o mágico número 7
Se fosse uma estação, seria: uma estação de rádio, que é uma excelente companhia
Se fosse uma frase, seria: “o que não nos mata, fortalece-nos”
Lanço o desafio a quem quiser confidenciar um pouco dos seus "ses".
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Dias perfeitos
Um dia perfeito teria aroma a Verão e teria os raios de Sol e o chilrear das andorinhas como despertador;
Um dia perfeito seria apadrinhado por beijos e baniria as preocupações e as palavras iradas;
Um dia perfeito teria corsários e sandálias, óculos de Sol e t-shirts de algodão;
Um dia perfeito não teria trânsito e faria da condução um momento privilegiado para audição musical;
Um dia perfeito teria um almoço numa esplanada junto ao mar e haveria gelado para a sobremesa.
Um dia perfeito teria boas surpresas, muitos sorrisos e excesso de gargalhadas;
Um dia perfeito teria um jantar com amigos sem horas de fecho, patrocinado por uma noite quente e estrelada;
Um dia perfeito culminaria num adormecer sereno e sem interrupções, povoado por sonhos de bons afectos;
Um dia perfeito seria perceber que afinal os dias perfeitos existem.
E para ti o que teria de ter um dia perfeito?
domingo, 13 de maio de 2007
segunda-feira, 7 de maio de 2007
quarta-feira, 2 de maio de 2007
... teriam de correr uma meia-maratona?
Dá que pensar…
Por isso é hoje lançada pelo Governo a Plataforma Contra a Obesidade, uma doença que é já considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a pandemia global do século XXI e que aflige 15% da população sendo responsável pela diabetes, colesterol e doenças cardiovasculares.
Concordo plenamente que deva existir uma educação para a alimentação desde os primeiros anos de vida, que estimule a alimentação saudável e equilibrada, objectivo que deverá ser partilhado por toda a comunidade, desde pais, professores, médicos e empresários. Há que saber comer para que, não deixando de tirar proveito de uma saborosa refeição, se saiba fazê-lo da melhor e mais saudável forma.
Como em tudo é sempre melhor a prevenção da obesidade do que o seu tratamento, essencialmente se este incidir em dietas, supostamente, miraculosas que apenas funcionam enquanto são, penosamente, cumpridas e que nos tornam tremendamente infelizes. É que o acto de comer é um acto de prazer, pessoal e social. Tendo nós um país de tamanha riqueza gastronómica e com uma densidade elevada de bons restaurantes, o encontro com a comida é um apelo diário e torna-se difícil resistir a tão deliciosas iguarias. As dietas de emagrecimento tornam-se ainda menos eficazes porque surgem quase sempre como algo restritivo e impeditivo. Psicologicamente errado, se pensarmos que o “fruto proibido é sempre o mais apetecido”.
Por isso as dietas ideais são para mim aquelas que não proíbem alimentos mas que nos ensinam a comer com moderação e que se regulam por um número de calorias diárias que deverão ser cumpridas. Tem de existir alguma flexibilidade e autonomia para permitir que um pequeno abuso ao almoço possa ser corrigido ao jantar.
Claro que o grande desafio consiste em conciliar os princípios da boa alimentação, com a vida agitada, o pouco tempo para cozinhar e o ter que comer sempre fora de casa. A estes factos não deverá esta plataforma ser alheia.
Como remate final mas ainda sob o mote “comer um pouco de tudo mas com moderação” deixo-vos o link para votar nas 7 maravilhas de gastronomia portuguesa. São na sua maioria bastante calóricas por isso votem mas não abusem!
sábado, 28 de abril de 2007
Scissor Sisters - She's My Man
Estes senhores ontem deram-me muita e boa música! Esta foi apenas a primeira!
sexta-feira, 27 de abril de 2007
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Liberdade

E como não acredito na felicidade sem estas duas condições, agradeço a todos os que lutaram por me proporcionarem ser feliz.
VIVA A LIBERDADE
sexta-feira, 20 de abril de 2007
Gostos
Gosto do silêncio para adormecer e do som para acordar. Não gosto de viver sem banda sonora. Gosto de contrastes. Gosto da agitação de Lisboa e da quietude do Alentejo. Gosto de poder escolher. Não gosto de meios-termos nem de indefinições.
Gosto do ronronar do meu gato e da meiguice do seu olhar. Gosto do amor incondicional dos animais. Gosto de emoções mesmo que contidas. Não gosto da frieza nem da indiferença. Gosta da amizade e dos amigos leais. Não gosto de traições. Gosto dos sorrisos dos outros. Gosto que os outros me façam sorrir.
Gosto de pessoas inteligentes, interessantes e interessadas. Gosto de liberdade, democracia e tolerância. Não gosto de falsidades e mentiras. Gosto de actos assumidos. Gosto dos actos altruístas. Gosto das pequenas coisas com grandes significados. Não gosto de cobardias, humilhações e violência. Não gosto de palavras iradas. Não gosto de conversas de circunstância. Gosto da poesia na vida.
Gosto dos abraços da pessoa que amo. Gosto dos seus beijos quando estou a dormir. Gosto das boas surpresas e da originalidade. Não gosto da mediocridade nem do cinzentismo. Gosto de lágrimas felizes. Não gosto de não ser optimista. Não gosto de ter medo. Gosto de gostar de coisas e dos outros e gosto que os outros gostem de mim.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros, com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros gnomos e fadas
Num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes. São Gigantes.
António Gedeão
segunda-feira, 9 de abril de 2007
A misantropia da Primavera

Na 6ª feira evadi-me na direcção do meu ponto cardeal preferido, o sudoeste, levando a Primavera como companhia. Foi parceira da minha viagem, comeu e bebeu comigo, brincou com a areia e com o mar sob o meu olhar, embalou-me juntamente com o Sol, segredou-me ao ouvido promessas de não mais se afastar, de não mais me largar a mão.
Mas a sua misantropia não permitiu que a promessa fosse cumprida. Mostrou-me que não gosta de se socializar facilmente e abandonou-me ao primeiro virar da esquina levando os amigos com ela, o sol, o calor, a luz, e a cor, e deixando-me com o vento, a chuva, o frio, as nuvens e o cinzento.
Tenho de me habituar a estas suas ausências, ao seu chegar silencioso e inesperado e aos seus pezinhos de lã. Tenho de me contentar com os seus rasgos de amizade e aguardar até que ela se decida, definitivamente, a ficar. Não vale a pena apressá-la, persuadi-la ou injuriá-la. Mas vale infinitamente a pena, esperar por ela.










