terça-feira, 5 de junho de 2007

Falar de felicidade

Não é nada fácil falar de felicidade. Para mim que não sou uma estudiosa do assunto, não tenho a eloquência do poeta, nem possuo a mente do filósofo, resta-me apenas a tentativa de projectar aqui palavras escritas oriundas do meu mais puro senso comum.

Creio que é mais fácil ser-se feliz quando se tem as necessidades e os desejos concretizados, quando se obtém aquilo que se quer ou quando se retira prazer de uma qualquer acção que se faz. Mas, para mim, este não é o verdadeiro desafio da felicidade. Esta é a felicidade garantida mas também com efemeridade assegurada. É sabido que o ser humano é insatisfeito por natureza e que após a satisfação de uma necessidade básica se direcciona para a satisfação de uma necessidade de nível superior e assim prossegue numa busca sem fim. Se a felicidade dependesse exclusivamente da satisfação de necessidades não poderiam existir pessoas satisfeitas que não fossem felizes nem pessoas felizes que não estivessem satisfeitas. A verdade é que a felicidade é mais exigente do que isso, para singrar faz-se valer da nossa actuação perante a vida.

Por isso, e excluindo obviamente a presença de acontecimentos tão trágicos em que seria, de todo impossível ficar-se feliz, a não ser que estivéssemos perante um caso de frieza patológica de sentimentos, possuo algumas crenças relativas à felicidade. Eu acredito que a felicidade não depende do acontecimento em si mas da atitude pessoal perante o acontecimento, eu acredito que a felicidade pode ser trabalhada e decidida, eu acredito que posso escolher ser feliz e acredito que é possível ser-se feliz na contrariedade, na frustração e na dificuldade.

Eu acredito que na felicidade podem haver momentos de tristeza, numa coexistência pacífica, desde que moderados por alguém disposto a ser feliz.

Mas também acredito que a predisposição para a felicidade tem de ser alimentada, pois não sobrevive à escassez daquele que é o alimento universal. Falo do amor, do amor em todas as suas formas, do amor dirigido aos outros e a si mesmo.

E por aqui me permito terminar esta prosa, defendendo com a eloquência que a minha escrita me permite:
não há felicidade sem amor nem podemos deixar que onde exista amor não haja lugar para a felicidade.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Todos a procuram numa busca incessante mas poucos parecem encontrá-la, ou pelo menos assim o pensam. Falo, claro está, da felicidade, esse estado utópico ou talvez não, pelo qual todos nos debatemos.

Mas afinal o que é isto da felicidade? Será alegria, prazer, bem-estar ou necessitará de alguma alquimia de que poucos conhecem a fórmula? Será a felicidade o motor impulsionador de toda a actividade humana? Existiremos para sermos felizes ou a existência poderá estar desvinculada da felicidade? Poderemos ser felizes sem nos apercebermos ou para haver felicidade tem de haver percepção dessa felicidade?

Gostaria de conhecer a opinião dos que me lêem acerca deste assunto por isso lanço-vos o desafio. Afinal o que é para vocês isto da felicidade?


NOTA: Decorre na culturgest uma conferência subordinada a este interessante tema. Vale a pena dar uma escapadela.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

“Tenho mais pena dos que sonham o provável, o legítimo e o próximo, do que dos que devaneiam sobre o longínquo e o estranho.
Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada.

Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão. Não me pode pesar muito o ter deixado de ser imperador romano, mas pode doer-me o nunca ter sequer falado à costureira que, cerca da nove horas, volta sempre a esquina da direita.

O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece”

Fernando Pessoa

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Se...

Um amigo lançou-me o repto e eu aceitei. Aqui ficam os meus ses:

Se fosse uma hora do dia, seria: 6h da tarde, a transição entre a agitação do dia e a serenidade da noite
Se fosse um astro, seria: O Sol pois claro, o estimulador natural de serotonina
Se fosse uma direcção, seria: a mais procurada, a direcção da felicidade
Se fosse um móvel, seria: de design italiano
Se fosse um líquido, seria: uma lágrima de alegria
Se fosse um pecado, seria: um bolo de chocolate
Se fosse uma pedra seria: pedra filosofal
Se fosse uma árvore, seria: uma azinheira numa paisagem alentejana
Se fosse um fruto, seria: esta é fácil, já sou…uma amora
Se fosse uma flor, seria: um molho de tulipas brancas
Se fosse um clima, seria: tropical porque me incomoda o frio e simpatizo com o calor
Se fosse um instrumento musical, seria: o piano do Keith Jarret
Se fosse um elemento, seria: o 5º elemento
Se fosse uma cor, seria: azul turquesa porque são azuis as coisas mais bonitas do Universo
Se fosse um animal, seria: uma cegonha, porque as que eu conheço andam muito desorientadas
Se fosse um som, seria: o som do mar
Se fosse uma música, seria: “your love alone is not enough”- Manic Street Preachers para agradar ao ouvido de quem amo
Se fosse um estilo musical, seria: fusion
Se fosse um sentimento, seria: cumplicidade
Se fosse um livro, seria: de poesia de Fernando Pessoa
Se fosse uma comida, seria: gelado de frutos silvestres (com amora claro)
Se fosse um lugar, seria: um porto seguro, onde sempre nos sentimos bem
Se fosse um gosto, seria: bom gosto
Se fosse um cheiro, seria: aroma de amora
Se fosse uma palavra, seria: uma palavra amiga, daquelas que sempre gostamos de ouvir
Se fosse um verbo, seria: um verbo transitivo
Se fosse um objecto, seria: algo desenhado pelo melhor designer que conheço
Se fosse uma peça de roupa, seria: da Prada, só assim a conseguiria
Se fosse uma parte do corpo, seria: os olhos, a expressão máxima dos afectos
Se fosse uma expressão facial, seria: um olhar apaixonado
Se fosse uma personagem de desenhos animados, seria: a fada Sininho, pela magia
Se fosse um filme, seria: uma longa metragem
Se fosse uma forma, seria: qualquer forma de amor
Se fosse um número, seria: o mágico número 7
Se fosse uma estação, seria: uma estação de rádio, que é uma excelente companhia
Se fosse uma frase, seria: “o que não nos mata, fortalece-nos”

Lanço o desafio a quem quiser confidenciar um pouco dos seus "ses".

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Dias perfeitos

Para mim…

Um dia perfeito teria aroma a Verão e teria os raios de Sol e o chilrear das andorinhas como despertador;

Um dia perfeito seria apadrinhado por beijos e baniria as preocupações e as palavras iradas;

Um dia perfeito teria corsários e sandálias, óculos de Sol e t-shirts de algodão;

Um dia perfeito não teria trânsito e faria da condução um momento privilegiado para audição musical;

Um dia perfeito teria um almoço numa esplanada junto ao mar e haveria gelado para a sobremesa.

Um dia perfeito teria boas surpresas, muitos sorrisos e excesso de gargalhadas;

Um dia perfeito teria um jantar com amigos sem horas de fecho, patrocinado por uma noite quente e estrelada;

Um dia perfeito culminaria num adormecer sereno e sem interrupções, povoado por sonhos de bons afectos;

Um dia perfeito seria perceber que afinal os dias perfeitos existem.



E para ti o que teria de ter um dia perfeito?

domingo, 13 de maio de 2007

Ando à procura da Serenidade, mas sempre que subo uns degraus e que penso que estou prestes a alcançar o patamar onde finalmente a encontrarei, eis que algo me empurra e me faz descer, não ao ponto de partida mas a um ponto suficientemente abaixo para me permitir ver que a subida é muito mais íngreme e difícil do que aquilo que parece.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Por aqui...

Já se inaugurou a época da sandália.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Sabiam que para se gastar o equivalente às calorias ingeridas num “super menu” com sobremesa...
... teriam de correr uma meia-maratona?

Dá que pensar…

Por isso é hoje lançada pelo Governo a Plataforma Contra a Obesidade, uma doença que é já considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a pandemia global do século XXI e que aflige 15% da população sendo responsável pela diabetes, colesterol e doenças cardiovasculares.

Concordo plenamente que deva existir uma educação para a alimentação desde os primeiros anos de vida, que estimule a alimentação saudável e equilibrada, objectivo que deverá ser partilhado por toda a comunidade, desde pais, professores, médicos e empresários. Há que saber comer para que, não deixando de tirar proveito de uma saborosa refeição, se saiba fazê-lo da melhor e mais saudável forma.

Como em tudo é sempre melhor a prevenção da obesidade do que o seu tratamento, essencialmente se este incidir em dietas, supostamente, miraculosas que apenas funcionam enquanto são, penosamente, cumpridas e que nos tornam tremendamente infelizes. É que o acto de comer é um acto de prazer, pessoal e social. Tendo nós um país de tamanha riqueza gastronómica e com uma densidade elevada de bons restaurantes, o encontro com a comida é um apelo diário e torna-se difícil resistir a tão deliciosas iguarias. As dietas de emagrecimento tornam-se ainda menos eficazes porque surgem quase sempre como algo restritivo e impeditivo. Psicologicamente errado, se pensarmos que o “fruto proibido é sempre o mais apetecido”.

Por isso as dietas ideais são para mim aquelas que não proíbem alimentos mas que nos ensinam a comer com moderação e que se regulam por um número de calorias diárias que deverão ser cumpridas. Tem de existir alguma flexibilidade e autonomia para permitir que um pequeno abuso ao almoço possa ser corrigido ao jantar.

Claro que o grande desafio consiste em conciliar os princípios da boa alimentação, com a vida agitada, o pouco tempo para cozinhar e o ter que comer sempre fora de casa. A estes factos não deverá esta plataforma ser alheia.

Como remate final mas ainda sob o mote “comer um pouco de tudo mas com moderação” deixo-vos o link para votar nas 7 maravilhas de gastronomia portuguesa. São na sua maioria bastante calóricas por isso votem mas não abusem!

sábado, 28 de abril de 2007

Scissor Sisters - She's My Man

Estes senhores ontem deram-me muita e boa música! Esta foi apenas a primeira!

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Hoje...

...apetece-me muito dançar.

Bom fim de semana!

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Liberdade



Vou por aqui, vou por ali, paro e retomo a marcha. Apresento a minha opinião, digo e desdigo, decido ler, decido falar, decido sair, decido ficar. Voto em quem acredito, estudo, rio, canto, choro, sozinha ou na multidão. Compro branco, visto preto. Escolho, acerto, erro e aprendo, assumo. Sigo os meus caminhos ou de quem eu quiser seguir. Defendo as minhas causas e luto pelas causas dos outros. Sou livre e posso escolher. Porque já nasci em liberdade, porque já nasci em democracia.

E como não acredito na felicidade sem estas duas condições, agradeço a todos os que lutaram por me proporcionarem ser feliz.

VIVA A LIBERDADE

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Gostos

Gosto do aroma a café, a frésias e a morangos. Não gosto de incensos nem de alfazema.
Gosto do silêncio para adormecer e do som para acordar. Não gosto de viver sem banda sonora. Gosto de contrastes. Gosto da agitação de Lisboa e da quietude do Alentejo. Gosto de poder escolher. Não gosto de meios-termos nem de indefinições.

Gosto do ronronar do meu gato e da meiguice do seu olhar. Gosto do amor incondicional dos animais. Gosto de emoções mesmo que contidas. Não gosto da frieza nem da indiferença. Gosta da amizade e dos amigos leais. Não gosto de traições. Gosto dos sorrisos dos outros. Gosto que os outros me façam sorrir.

Gosto de pessoas inteligentes, interessantes e interessadas. Gosto de liberdade, democracia e tolerância. Não gosto de falsidades e mentiras. Gosto de actos assumidos. Gosto dos actos altruístas. Gosto das pequenas coisas com grandes significados. Não gosto de cobardias, humilhações e violência. Não gosto de palavras iradas. Não gosto de conversas de circunstância. Gosto da poesia na vida.

Gosto dos abraços da pessoa que amo. Gosto dos seus beijos quando estou a dormir. Gosto das boas surpresas e da originalidade. Não gosto da mediocridade nem do cinzentismo. Gosto de lágrimas felizes. Não gosto de não ser optimista. Não gosto de ter medo. Gosto de gostar de coisas e dos outros e gosto que os outros gostem de mim.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Os meus olhos são uns olhos
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros, com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros gnomos e fadas
Num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes. São Gigantes.

António Gedeão

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A misantropia da Primavera


Afinal a Primavera é mesmo esquiva. Já desconfiava, mas este fim-de-semana fez-me ter a certeza.

Na 6ª feira evadi-me na direcção do meu ponto cardeal preferido, o sudoeste, levando a Primavera como companhia. Foi parceira da minha viagem, comeu e bebeu comigo, brincou com a areia e com o mar sob o meu olhar, embalou-me juntamente com o Sol, segredou-me ao ouvido promessas de não mais se afastar, de não mais me largar a mão.

Mas a sua misantropia não permitiu que a promessa fosse cumprida. Mostrou-me que não gosta de se socializar facilmente e abandonou-me ao primeiro virar da esquina levando os amigos com ela, o sol, o calor, a luz, e a cor, e deixando-me com o vento, a chuva, o frio, as nuvens e o cinzento.

Tenho de me habituar a estas suas ausências, ao seu chegar silencioso e inesperado e aos seus pezinhos de lã. Tenho de me contentar com os seus rasgos de amizade e aguardar até que ela se decida, definitivamente, a ficar. Não vale a pena apressá-la, persuadi-la ou injuriá-la. Mas vale infinitamente a pena, esperar por ela.

segunda-feira, 5 de março de 2007


A minha pouca assiduidade por aqui explica-se: é que as palavras não assentam quando os pensamentos voam.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

"O tempo é algo que não volta atrás, portanto, plante o seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe mande flores."
William Shakespeare


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Outros Carnavais

O Carnaval hoje em dia já não me diz grande coisa, tirando o facto de ser uma ponte garantida no calendário. Mas nos meus tempos de criança foi amado e desejado como o brinquedo preferido.

Acho que gozei tanto o Carnaval que hoje posso me dar ao luxo de prescindir do seu desfruto. Sim é certo que o Carnaval é adorado por todas as crianças e que, por conseguinte, tal adoração não me distinguia das demais, mas a grande diferença é que o Carnaval para mim se prolongava durante todo o ano. A razão por detrás de tão longo deleite era a de que cresci a ver a a minha avó a conceber, fazer e alugar fatos de Carnaval.
Modista reformada, viu nos fatos de Carnaval a fórmula de prolongar a sua já longa actividade profissional com a diferença de que a estas peças era adicionado o carinho e a paciência típicos de quem já não é jovem e de quem trabalha apenas pelo prazer colhido. Inspirava-se em tudo o que lhe chegava ao seu pequeno mundo, revistas, televisão, livros e até nas minhas cadernetas. Tudo servia de insight para o início do seu processo de criação, onde a imaginação imperava e a criatividade era rainha.
Foi a única vez na vida que fui modelo. Foi a única vez na vida que fui tão assídua de retrosarias e que me vi tão frequentemente circundada por lantejoulas e galões, bordados e tules, fitas de cetim e cordões, que me assoberbavam os sentidos e encantavam o meu coração infantil.
A magia de poder viver múltiplas personagens, o dar vida a desejos escondidos, o transformar-me noutro eu, o fascínio por condições diferentes da minha, tudo junto e na quantidade certa faziam os momentos carnavalescos autênticos pedaços de satisfação. Ainda que por momentos fui fada, chinesa e espanhola, princesa e dama antiga, bailarina, finlandesa, holandesa e tailandesa, varina e nazarena, fui noiva do Minho com direito a véu e filigrana, fui mil e uma coisas mais. Vesti fatos sem nome, pelo prazer de fantasiar e porque os nomes podem ser redundantes quando o figurino tudo diz. Fui feliz!
No entanto, não são dos fatos que conservo as maiores saudades, nem do prazer de vesti-los e ver a sua elaboração, nem das cores e texturas dos tecidos, sinto essencialmente saudades da fada que os criou porque sem a sua magia nada teria sido o mesmo.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

O Dia de S. Valentim podia ser mais um motivo mas felizmente na minha vida há amor o ano inteiro!

Obrigada a ti!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

O Deus da ciência

Deus visto pela ciência é o tema do livro "A fórmula de Deus" do José Rodrigues do Santos. Achei muito interessante porque me fez desprender da perspectiva do Deus antropomórfico e conhecer a visão holística da ciência sobre a origem do universo. E é extremamente interessante verificar que os Genésis encerram em si verdades que foram provadas científicamente e que as Religiões orientais assentam em princípios validados pela física. São textos com milhares de anos e que só agora a ciência conseguiu que fossem demonstrados. Deveras fascinante. A constatação de que existem diferentes perspectivas para a mesma realidade.

Este livro é também um exemplo de como temas como a Teoria da Relatividade, Teoria Quântica, Teoria do Caos, podem fascinar leigos, quando aplicadas a temas tão universais como a existência de Deus.

O livro não é isento de imperfeições mas da minha parte perdoam-se os seus defeitos pelo interesse que desperta.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Esta altura do ano é, para mim, um pouco desinspiradora, senão vejamos:
  • é altura dos balanços do ano anterior, do fecho de projectos, dos relatórios de execução e avaliação anual, o que só por si retira qualquer imaginação sobre outro assunto. As reservas de criatividade são quase todas gastas nestes documentos intermináveis;
  • As férias já ocorreram há tempo suficiente para precisarmos exasperadamente de mais mas ainda falta muito tempo para as conseguirmos ter de novo;
  • O tempo mantém-se cinzento e oscila entre o frio que provoca o incomodativo contrair dos músculos, pelos, pele e afins e as chuvadas que nos encharcam a roupa;
  • As colecções de Primavera Verão começam a aparecer e a deixar-nos com água na boca mas ainda sem qualquer perspectiva de quando nos será possível vestir tão atraente trapinho;
  • Os dias ainda são demasiado curtos para me permitir chegar a casa com a luz do dia.

Como em relação às questões atmosféricas e à duração dos dias a minha inoperância é total, resta-me despachar o trabalhinho que se acumula na minha secretária para poder inspirar-me noutros lados.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Os rostos por detrás das palavras

As palavras escritas escondem rostos, pessoas, identidades. Roubam-nos o pensamento para tentar imaginá-las, recriá-las, construi-las. É dos melhores actos criativos que se pode vivenciar, o processo de construção de alguém que não se conhece, que apenas se lê e que através da sua escrita deixa antever características, traços de personalidade, marcas da vida.

Mas se imaginar essas pessoas nos pode proporcionar momentos de indelével prazer, o acto de as conhecer é ainda mais compensador. Posso afirmar que conhecer os rostos por detrás das palavras é mágico, admirável, fascinante e surpreendente, viciante e envolvente.

Esta foi a origem dos aromas deste fim de semana. A fragrância libertada no encontro entre o rosto imaginado e o rosto real e a constatação de que o real é infinitamente mais esplendoroso do que o imaginado e que não há imaginação que valha perante o prazer de um abraço sentido.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Com o passar da idade, e apesar das sextas feiras serem dias deliciosos, como aliás já o aqui descrevi, a verdade que sinto cada vez mais o seu peso. E digo convictamente que este não é nada leve. O stress de uma semana de trabalho, da vida agitada, do trânsito, dos planeamentos constantes, vai-se acumulando, vai exercendo a sua força, vai moendo a tal ponto que chego a este emblemático dia tão cansada e tão exausta que por vezes dou por mim a preterir o belo do cinema e do jantar a dois a favor do meu belo sofá. Ironias da vida! Mais uma!
O que vale é que este fim de semana vai ser sobejamente aromatizado. Sobre estes aromas conto depois.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Um ano apenas.
O suficiente para ser diferente e sentir diferente.
Um ano de mudanças interiores, obstáculos sem fim, pensamentos viciados.
Um ano apenas.
Para ser outra, mais vivida, mais experiente, mais madura, mais conhecedora de si e dos outros. Não sei se melhor, não sei se pior, sei ser apenas diferente.
Um ano apenas e tantas mudanças que se eu não vivesse em mim por vezes não me reconheceria.
Pressinto agora uma tranquilidade vindoura, uma paz interior a querer vingar. Pressinto uma nova fase. Permanecerá? Ou esbater-se-á sem deixar rasto?

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Quem é que abriu o frigorífico e deixou a porta aberta?
Depois de tantas ameaças, o frio chegou mesmo. Os termómetros não enganam e as temperaturas baixas fazem-se mesmo sentir. Com o fim de semana à porta o melhor será mesmo retirar do frio o melhor proveito. Desde deixar as dietas de lado e aproveitar para beber um bom chocolate quente ou escolher um chá bem quentinho acompanhado de uns scones, até repor o stock de lenha e dar vida à lareira enquanto nos enroscamos no sofá, várias são as opções disponíveis para amenizar os arrepios de frio. Nem que seja plagiar a vida de réptil e ficar quietinhos a apanhar Sol junto a uma vidraça. Vale tudo! Basta não deixar que a imaginação congele!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

PODER ESCOLHER...
É para mim a principal essência da felicidade.
É a nossa acção sobre os elementos que nos poderá fazer feliz. Não é só o amor, é eu poder escolher quem quero amar. Não é a música, é eu poder escolher aquilo que quero ouvir.
Não poder escolher é a mais refinada forma de amputação da alma.
Eu escolho ser feliz..

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Comove-me toda a espécie de beleza, a beleza escondida nas palavras que foram ditas e nas que ficam por dizer, a beleza transmitida por um gesto, a beleza extravasada por um olhar, a beleza das pequenas coisas com grandes significados;
Comove-me a defesa das causas, a luta pelos princípios, a eloquência de um discurso sentido, os sentimentos fortes que emanam de almas emotivas, o dar a cara por aquilo em que se acredita;
Comove-me a coesão de grupos, as sinergias criadas, a cumplicidade, a poesia na vida, o rever-me nas palavras dos outros.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Sempre que tenho oportunidade de lê-la, revejo-me no conteúdo da poesia de Fernando Pessoa, que de tão eloquente, genial, verdadeira, me produz arrepios na pele e comoção na alma.
Por isso deixo-a uma vez mais, aqui ...neste meu canto.
“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... ”

Poesia de Fernando Pessoa

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Embora em trabalho e apenas por um dia, estou de partida para uma cidade portuguesa que gosto particularmente. Gosto pelas suas ruas, pelas suas gentes, pelos seus aromas, pela sua gastronomia. É sempre um grande prazer revisitá-la e passear por ela reencontrando monumentos, pequenas praças mas de grande beleza, espaços singelos que alegram os sentidos. É uma cidade aromática que me alegra a vista e o coração. Não excessivamente longe da capital, mas o suficiente para nos transportar para um outro mundo, um outro Portugal, uma outra realidade. Vou com vontade e virei com saudade!
Em jeito de conclusão e para refrear a curiosidade eu digo que a cidade de que falei é capital de província, é do Sul e alberga um dos monumentos nacionais candidatos às 7 maravilhas... é isso mesmo, Évora.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Tudo na vida tem um conceito. O meu é este: coleccionar os melhores aromas que esta me dá, guardá-los, partilhá-los, relembrá-los, fazer destes a minha história de vida.
Como primeiro post do ano apresento o baú dos meus aromas, a minha latinha de colecção que guardará hermeticamente o melhor que este ano me trará.

sábado, 30 de dezembro de 2006


VIVA 2007
Serão bem-vindos:
a alegria e a felicidade, o amor e a amizade, o carinho e o afecto. Os bons momentos, os bons aromas, os meus sorrisos e os sorrisos dos outros. As boas notícias, as agradáveis surpresas, o contentamento inesperado. A boa companhia, os amigos (muitos e bons), a família e os animais de estimação. O mimo, a carícia, as doces palavras. As viagens, o novo, outras línguas, outros sabores, outros aromas. As boas conversas, os bons argumentos e o acto de pensar. O quente, quando está frio, e o fresco quando está calor. A leitura, o cinema e muita música. A vida com banda sonora. Um café depois do almoço e um gelado numa esplanada de Verão. Os sonhos, o seu alcance, a vida bem vivida. As boas decisões e os bons caminhos. As noites estreladas e as outras estrelas.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Natal Feliz

A vivência do Natal é subjectiva. Há quem o adore e quem o deteste . Há quem o planeie, e quem se deixe levar. Há quem o viva intensamente, e quem o ignore. Há quem o enalteça, e quem o despreze.
Independentemente da maneira como vivem esta época desejo a todos que a passem de uma forma FELIZ.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Doces pecados

Se há pecados a que não resisto são os doces.
É certo que sou gulosa todo o ano, sou daquelas que conhece os doces típicos de quase todas as regiões de Portugal, os D. Rodrigo do Algarve, as sericaias alentejanas (com ameixa de Elvas), os pasteis de Belém, brisas de Leiria, ovos moles de Aveiro, sardinhas doces de Trancoso, Pudim Abade de Priscos, fidalguinhos de Braga, isto, claro, só para enunciar alguns. Porém, não obstante o meu organismo estar relativamente habituado a uma dose frequente de ingestão de açucar, a quadra natalícia, com o almocinho aqui, jantarinho ali, lanchinho entre os dois, proporciona-me uma ingestão calórica verdadeiramente preocupante. E se após ter comido umas quantas fatias de bolo sinto-me, no final do dia, profundamente arrependida, este sentimento é tão fugaz que as horas de sono o encaminham para o espaço mais recôndito da minha inconsciência a ponto de no dia seguinte me deliciar, novamente com os doces com que me presenteiam.
São os doces pecados da minha existência.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Para ti

Que eternalizas os teus abraços, que me amas, que me aconchegas, que me proteges, que me fazes sorrir, que me escutas, que me amparas, que me fazes ser feliz...
MUITOS PARABÉNS

Foto: olhares.com



sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

6ª feira

Sexta-feira, palavra mágica, que anima, que alivia tensões, que propõe alternativas, que nos deixa sonhar com o que podemos fazer mesmo que o não façamos, que nos deixa antever dias felizes, calmos e vividos à nossa maneira.
O dia em que culminam cansaços, stresses, vidas agitadas, furtadas de tempo para reflexões mas apenas para reacções. O dia em que se iniciam planos, pequenos projectos, em que se revêem amigos, em que se revisitam locais.
O dia que antecede o apogeu da semana, que nos equilibra, que nos reforça, que nos devolve a liberdade.
Adoro as 6ªs feiras, adoro o aroma a algo que poderei fazer mesmo que não passe disso mesmo.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

7 maravilhas

Começou hoje a votação para as 7 maravilhas de Portugal e decorrerá até ao dia 7 de Julho. Temos um país lindo que vale a pena visitar, que vale a pena conhecer. Fica pois aqui a sugestão para o fim de semana: votem ou, para que o possam fazer com conhecimento de causa, desloquem-se a algumas delas e deixem-se influenciar pela magia dos locais.

A foto que aqui deixo mostra um pôr-do-sol magnífico que presenciei há pouco tempo e que revela que a ponte 25 de Abril não é só trânsito mas palco para uma vista deslumbrante.

foto: olhares.com

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Compras de Natal

Com o início de Dezembro foi inaugurada a minha época oficial do Natal. Agora sim, começo a estar mentalizada para a época natalícia, para as compras que terei de fazer, para os postais a mandar, para os locais onde passarei a consoada e o dia de Natal e toda uma série de condições logísticas que têm de ser previamente preparadas. Decidi fazer um esforço para que a magia do Natal dos outros tempos ainda exerça alguma da sua influência na minha vida.
Pois bem, comecei pelas compras. Com uma lista de presentes a aumentar de ano para ano, é cada vez mais difícil e mais moroso o processo de encontrar o presente ideal para cada pessoa. Embora pertencente ao género feminino onde, como se sabe, ou pelo menos se tem uma forte fama, existe uma predisposição genética para as compras, comprar umas dezenas de prendas não se afigura tarefa fácil. Mas, munida do meu mais forte entusiasmo, parti nessa aventura, isto no dia inaugural do mês de Dezembro, dia esse em que, claro está, toda a gente se lembrou de fazer o mesmo. Tudo bem, não pontuei pela originalidade do dia que escolhi mas ao menos que ganhasse o troféu pela originalidade das compras. Neste pressuposto, e para que a oferta fosse o mais diversificada possível fui para o maior centro comercial da capital.
Devo dizer-vos que até correu muito bem! Num único dia comprei metade da minha lista de prendas. Atingi um nível de sucesso de 50% na primeira tentativa! IUPI!!!
Comecei calmamente, entrei em dezenas de lojas, revirei tudo, mexi em tudo, vi tudo a que tinha direito. Os sacos foram aumentando. Na altura de vir embora os meus braços já não eram braços mas sim cabides com lotação esgotada. Qualquer actividade tornou-se, então, impossível de ser realizada, ir à casa de banho, encontrar o cartão do estacionamento, tirar as moedas da carteira para pagar o dito, para não falar do encontrar a chave do carro na mala, que de tão clássica que é nem vale a pena aprofundar, mesmo tendo neste dia alcançado o nível do absurdo.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Reflexão de fim de semana

“Um Mestre Oriental viu um escorpião que se estava a afogar, decidiu tirá-lo da água mas quando o fez, o escorpião picou-o. Como reacção à dor, o Mestre soltou-o e o animal caiu à água e de novo estava a afogar-se. O Mestre tentou tirá-lo outra vez, e novamente o escorpião picou-o. Alguém que tinha observado tudo, aproximou-se do Mestre e disse:- Perdão, você é teimoso? Não entende que de cada vez que tentar tirá-lo da água ele o picará??!O Mestre respondeu:- A natureza do escorpião é picar e isso não muda a minha natureza, que é ajudar. Então, com a ajuda de um ramo, o Mestre retirou o escorpião da água e salvou-lhe a vida.
Não mudes a tua natureza se alguém te magoar. Apenas toma precauções.”

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Natal- parte I

A menos de um mês desta data carismática, não podia deixar de fazer um post sobre ela. Este será o primeiro deles e assentará numa visão um pouco crítica desta época.
Não pensem que sou daquelas aversas ao Natal mas confesso que a ápoca natalícia já não tem, sobre mim, o mesmo efeito reconfortante de outrora. Talvez o ditado de que "o Natal é para as crianças" se aplique a mim na perfeição pois a minha condição de adulta faz-me achar que esta é uma época adulterada nos seus princípios. Hoje, assiste-se, e utilizarei uma metáfora dos tempos actuais, à OPA da economia sobre a religiosidade, à permuta da afectividade pelo consumismo, à substituição integral da figura do menino Jesus, a génese do Natal, pelo figura comercial do Pai Natal, e criação da Coca Cola.
Contra mim falo nestas considerações, pois também eu me rendi à massificação do consumo e aos símbolos profanos do Natal, mas não sem sentir alguma tristeza no facto da sua essência estar a ser perdida. Não sendo uma pessoa propriamente religiosa considero que o Natal deveria ser uma época simbólica e o expoente máximo de uma forma de estar na vida, baseada na afectividade e no respeito pelo próximo. Hoje o Natal é excessivamente comercial, assente em demasia nas ofertas e na azáfama das compras. A alegria que desperta está demasiado concentrada no momento fugaz da abertura dos presentes.
Até a preparação da ceia de Natal caiu num minimalismo próprio dos dias de hoje, em que a correria das compras nos deixa pouco tempo para o resto. É que até as filhozes e as azevias que, noutros tempos eu fazia com a minha avó (e que saudades tenho tuas minha avozinha!), e que faziam dos preparativos da ceia de Natal, um espaço único de convívio familiar, são hoje comodamente encomendadas no café perto de casa.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Nota de autor

Não vale a pena continuar a pensar naquilo que não alcançámos. Vale a pena agradecer aquilo que se tem. Pode parecer um cliché mas os clichés encerram consigo verdades. Por isso este post direcciona-se para todos aqueles que muito me acarinharam por estes dias em que a ansiedade apertou e em que a desilusão tomou posse.
O mundo virtual é um mundo diferente, que nos aconchega, que nos revela verdadeiras surpresas vindas de pessoas que não se conhece, que apenas se lê e das quais se conjecturam traços de personalidade. Tenho a sorte de conhecer pessoalmente algumas das pessoas que por aqui passam e sei que o que aparentam virtualmente são na realidade traços de carácter verdadeiros que as tornam pessoas únicas. Com as que não conheço mergulho na magia que é imaginá-las e concretizá-las na minha mente com cada comentário que me deixam.
Estou, por isso, grata pelos mimos que recebi e pelas palavras de que fui alvo e não podia abdicar do meu dever de agradecer.
E os aromas continuam...

domingo, 5 de novembro de 2006



SONHO

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos

quinta-feira, 2 de novembro de 2006



Uma árvore de esperança cresceu no cinzentismo da dúvida.

Que a árvore dê lugar à floresta, que a dúvida dê lugar à certeza, que a esperança dê lugar ao aroma.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Desabafo de fim de dia

Preciso de forças mas estou fraca;
Preciso de acreditar mas estou incrédula;
Preciso de alegria mas estou triste;
Preciso de um caminho, estou no meio dele, mas não vejo o fim;
Sinto-me perdida, sem rumo, despojada de esperanças, apenas receosa, desanimada, sem poder lutar contra a arma invisível que me assombra, que me corrói, que apaga a minha chama.

Não choro, não grito, não me enfureço porque nada disso muda a realidade, apenas espero, abafo sentimentos, aguardo sem aguentar mais, desespero numa dor persistente.
Este fim de semana vi um filme que me tocou profundamente. O filme português "Alice" de Marco Martins e que chegou recentemente ao mercado de aluguer de filmes.

O filme conta a obstinação de um pai à procura de uma filha de 4 anos, que despareceu à 193 dias. Todos os dias este pai perfaz todos os passos do dia do desaparecimento da filha num ritual obsessivo que o ajuda a manter viva a esperança de a voltar a encontrar. Um filme que mostra a angústia e o sofrimento fazendo pouco uso da palavra, como se esta se tivesse esgotado pela dor e recorrendo a imagens que de tão expressivas, nos transmitem o peso da ausência em toda a sua amplitude, tendo como pano de fundo uma Lisboa fria e sem cor. A cena final do filme é o derradeiro passo para as lágrimas transbordarem. Muito bonito e merecedor de prémios!

Bom mas como já ando suficientemente emotiva por estes dias tentei contrabalançar o peso do filme anterior pela leveza de uma bela gargalhada e assisti à estreia do programa dos "Gato Fedorento". Confesso que me desiludi. O Programa está aquém do seu verdadeiro talento. Para mim aqueles gatos querem-se verdadeiramente fedorentos, sem grandes produções, sem recurso à piada fácil e à imitação, sem necessidade de figurantes. O mais simples possível com os textos a valerem por si só.

Feito o balanço, foram mais lágrimas que gargalhadas mas tentarei equilibrar noutro dia.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Não sei se por há muitos anos passar algum tempo a conduzir até chegar a casa, alguns dias em autênticos tormentos de filas de mais de 10km em que o pára arranca quase nos leva à loucura e nos oferece uma inflamação ciática, a verdade é que aprendi a reverter esse tempo, supostamente perdido, a favor de actividades mais úteis. É certo que confinada numa área tão reduzida como a de um carro, não há muita coisa que se possa fazer fisicamente, embora sempre dê para dar umas "mãozinhas de dança" quando a música a isso permite, mas podemos dar largas a algo que ultrapassa as barreiras físicas- o pensamento. E a verdade é que o meu pensamento já está viciado neste espaço de tempo que ocupa o meu trajecto entre casa e trabalho. É incrível como esse tempo já é crucial para a organização do meu dia a dia. São momentos estruturantes na minha vida dedicados a planear e a definir prioridades, que podem ir desde o mais elementar como "O que vou fazer para o jantar" até a assuntos mais complexos relacionados com o trabalho.

Ontem a magia dos meus pensamentos foi entrecortada pela envolvente do trajecto. Na linha do horizonte apenas se vislumbravam nuvens negras que eram temporariamente rasgadas por relâmpagos fortes e de luz intensa. O contraste que tal fenómeno proporcionava era lindíssimo e arrebatador. Por momentos quase que me apeteceu parar o carro e ficar a assistir em primeira fila a um céu a ficar cada vez mais escuro, os primeiros pingos grossos de chuva a cair e a luz forte a aparecer ao longe numa descarga energética possante.
No entanto, segui em frente e apenas parei em casa para dar início ao jantar que já havia planeado.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Hoje mandaram-me um email com esta foto.


Frequentemente acusadas de que não percebemos nada de informática e tecnologias, eu pessoalmente interpreto esta foto como um tributo à nossa versatilidade e sentido prático: é que onde alguns só vêm um CD nós vemos algo mais e esse mais é aproveitado para nosso proveito.
É a competência feminina a que chamo de dupla atribuição de utilidade, uma das muitas que fazem, a meu ver, parte do "portfólio de competências quase exclusivamente femininas".

segunda-feira, 16 de outubro de 2006



Hoje os meus pensamentos fugiram para o"London Eye".

Esta foto é perfeita para descrever o estado em que se encontram: cinzentos, nostálgicos, numa roda vida, alternando entre o baixo e o alto mas nunca permanecendo no mesmo local.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

elouai's doll maker 3
Achei este programa de criação de bonecas, uma verdadeira delícia, ainda mais para quem gosta de bonecas como eu mas não tem o mínimo jeito para as desenhar.

Esta sou eu nos meus melhores dias. Digamos que bastante favorecida! Não é a mesma coisa que uma foto mas o resultado é muito mais giro e colorido!

Como a criação das bonecas não deixa de ser uma forma de projecção daquilo que gostamos, dá para perceber que gosto de cores, flores e animais! E mais não digo! Bom fim de semana!

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Livros

A leitura proporciona-me um prazer insubstituível. E este gosto acompanham-me desde sempre, tem sido transversal à minha existência.
Não me recordo propriamente dos livros da minha primeira infância, provavelmente há 30 anos não existiria a oferta que hoje existe. Inauguram a minha memória, no que a esta temática diz respeito, os livros da Anita, que frequentemente me eram oferecidos nas datas especiais. Apesar de não ter retido o seu conteúdo, a Anita é uma personagem do meu imaginário infantil e relembro-a especialmente no livro "Anita na festa das flores" que adorava pela magia que me era oferecida pelas ilustrações contendo milhares de flores.
Depois tornei-me amiga íntima da turma da Mónica, aprendi a falar brasileiro, aprendi o que eram goiabas e pitangas, queria à força ver o Cascão a tomar banho e enchia-me de alegria a ler os almanaques destes amigos tão especiais.
Seguiram-se os cinco que eu admirava por serem tão inteligentes apesar de tão novos. Devorei livros atrás de livros, histórias e mais histórias, complementei-os com os livros "Uma aventura...", uma réplica portuguesa para as histórias de Enid Blayton mas com a acção passada em locais que eu conhecia e com o charme incutido pelo par de gémeas Teresa e Luisa.
Mais tarde, deixei-me de aventuras e dediquei-me a leitura mais séria e desde então perdi a conta aos livros que já passaram pela minha mesa de cabeceira e que deliciaram os meus olhos e a minha mente. Desde livros grandes, de leitura densa e complicada a livros simples, de leitura fácil. Uns gosto mais outros gosto menos, uns adoro, outros nem por isso. Não sei dizer qual foi o livro da minha vida, nem espero tal reducionismo, tive vários e espero vir a ter.
Mas com eles já vivi muitas vidas e conheci muita gente e se essas vidas podem ser ficção, a riqueza interior que me proporcionaram é concerteza uma realidade.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Se há função que gosto nos computadores é a função "undo". Que bem que sabe poder rapidamente corrigir algo em que me enganei. Quantas vezes já fui eu completamente salva por essa tecla? Pequenas e grandes distracções rapidamente rectificadas unicamente sob a pequena pressão de um botão seguida de uma sensação de alívio imediato.

O quão bom seria se esta função fosse transponível para a nossa vivência?! As pequenas contrariedades que poderiam ser evitadas se uma acção pudesse ser anulada apenas pela força de um click! Era cómodo, tentador, muito tentador!

No entanto, pouco facilitador ao desenvolvimento pessoal.

O "undo" não existe na vida real. Nesta, todas as acções têm uma consequência e é o peso dessa consequência que nos ajuda a aprender, a evoluir, a crescer...

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

aroma a roma

Estive em Roma em trabalho nestes últimos dias. Confesso que não tive por esta capital europeia um amor à primeira vista...nem à segunda...pelo contrário foi um trabalho árduo de conquista, de preserverança, mas que como resultado final teve o mérito de me fazer apetecer voltar lá outra vez.


É impossível ficar-se indiferente a esta cidade e isto pelos aspectos mais positivos e mais negativos.
É impossível não se ficar arrebatado com o coliseu e com os fórus romanos, com a sua carga histórica, com a sua tonalidade, a sua magia.

É impossível não se gostar das suas praças, das suas lojas, dos seus artistas, da sua gastronomia, da paisagem pitoresca.

É impossível não nos apaixonarmos pelos seus monumentos, pela sua grandiosidade e imponência, pelos percursos que se podem fazer só seguindo a direcção das cúpulas das igrejas que vão aparecendo no campo de visão, pelo prazer de descobrir.

São intermináveis as coisas que se podem gostar em Roma. Mas Roma é uma cidade de muitos contrastes e apesar de eu ser particularmente apreciadora de contrastes, nem todos são agradáveis aos nossos sentidos. A imensidão de gente que mora e invade Roma em turismo, dá a esta cidade tão bonita na sua essência, uma série de defeitos que por vezes nos leva à exaustão.

Quando se torna impossível apreciar praças e monumentos por não se conseguir sequer chegar perto, quando tirar uma fotografia se torna um trabalho árduo, quando ver-se italianos é a excepção e não a regra, quando há mais folhas de jornais espalhadas pelo chão do que nas prateleiras das lojas, o maravilhoso perde um pouco da sua graça.

Roma tem a meu ver alguns defeitos enquanto cidade cosmopolita mas enquanto essência é concerteza uma das cidades mais bonitas do mundo.

sábado, 30 de setembro de 2006



O trabalho assim o obriga: estarei ausente por uns dias!

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

O fim de semana está à porta e tem de ser bem aproveitado. O tempo não estará muito a favor mas é uma questão de se optar por actividades dentro ou fora de portas.



Deixo-vos algumas sugestões para uns momentos bem passados:
- ir ao CCB ver o World Press Photo;
- ir beber um copo ao fim da tarde ao café "À margem" situado junto ao Padrão dos Descobrimentos e que ao minimalismo da sua decoração contrapõe uma vista absolutamente maravilhosa para o rio;
- ir ao cinema ver a estreia do novo filme de M. Shylaman "A senhora da água" ou outros já estreados
- dar um passeio pela Serra da Arrábida e parar em Azeitão para se deliciar com uma torta e outras iguarias da região;
- ir a uma livraria e folhear as novidades na leitura, ouvir os novos temas musicais, comprar aquele i-pod que andamos a namorar;

- votar nas 7 novas maravilhas do mundo e sonhar com viagens a cada uma delas;
- rir muito


Divirtam-se!

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Psicologia Positiva:

Mais vale um optimista que erra que um pessimista que acerta!

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

amarras

Ando a ver se arranjo umas amarras para não deixar fugir a felicidade. Escorregadia, furtiva, volátil, parece, por vezes tão difícil de apanhar. Será que se esconde? Que apenas nos vigia? Que nos faz lutar por ela?

Quero agarrá-la, forçá-la a ficar comigo e dividi-la com os outros, não quero que ela fuja, quero sentir permanentemente o seu aroma.

Umas vezes encontro-a, ela fica, depois vai, depois volta, sorrateira, sem dar por isso. Gosto especialmente quando ela chega sem avisar e fica por alguns dias mas sei que não é omnipresente e que tenho que aprender a viver, mesmo quando ela me abandona. Sofro da angústia da separação, apesar de saber que ela acaba sempre por voltar mesmo que de mansinho.

Mas quantas, quantas vezes eu chamo por ela, julgando-a desparecida, quantas vezes eu choro pelo seu paradeiro, numa cegueira emocional, para mais tarde verificar que afinal ela esteve sempre ali.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Outono

Chegou o Outono!


Nós já sabiamos que ele vinha aí, mas agora pergunto eu: seria necessário mostrar-se assim com tanta violência e a parecer ter inveja do inverno? Teria ele medo que não dessemos por ele?
Não havia necessidade...

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Este post é dedicado ao meu aroma especial...


Faz hoje anos que este símbolo passou a promessa...

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Aroma a Lisboa

Eis o regresso ao trabalho depois de um fim de semana bem passado! E como fim de semana que se preze é aquele que proporciona aos nossos sentidos, estímulos agradáveis, posso afirmar que o meu ascendeu a esse estatuto.

Lisboa é efectivamente uma cidade bonita e ainda o é mais durante o período de descanso. Percorrer as suas ruas e passear pelas suas vilas vizinhas são actividades em que vale a pena investir sob pena de se obter um retorno assegurado. É garantia de uma repleta satisfação dos nossos 5 sentidos.

Almoçar na zona do Guincho dá-nos a conhecer uma poderosa aliança, uma paisagem deslumbrante e uma deliciosa degustação de pratos de peixe e o seu percurso até à cidade de Lisboa, deve ser percorrido sem pressas para que possamos usufruir de uma marginal que nos oferece das paisagens mais bonitas do país. Essa marginal impulsiona-nos a paragens num desejo impetuoso de acalmar os sentidos, Cascais, Estoril, Oeiras, jardins de Belém (sem esquecer os seus maravilhosos pastéis), docas, tudo sem perder o Tejo de vista.

Passear pelo Chiado é renovar a nossa mente, é respirar um pouco do "estrangeiro" que há por cá, é agraciar o nosso ouvido com músicas e outras línguas e pronúncias, é tirar uma foto a quem nos pede, é lembrar-nos de poetas e tertúlias, é aspirar o doce aroma a Lisboa.

Os miradouros da cidade roubam-nos as palavras, apaziguam os pensamentos e devolvem-nos a serenidade merecida.

Não pensem que algum sentido fica de fora, o sentido do tacto não foi preterido mas antes promovido para o remate final: é que tudo isto é mais bonito se poder ser percorrido de mão dada com quem amamos.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

A Liberdade proporcionada pelo fim de semana que aí vem, fez-me ter vontade de colocar aqui as palavras eloquentes do nosso poeta.

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doiraS
em literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que istoÉ Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Teoria

Podia-me sentir melhor se usufruísse do sentimento egoísta de sentir que não sou a única, mas a verdade é que não me sinto. Heuristicamente falando, parece que o mês de Setembro está a ser cúmplice de depressões, de maus humores, de angústias e de tristezas. Percebi que sou apenas mais uma num mar de gente que acusa insatisfação, tristeza, ansiedade e a típica "rabugice".
Será por Setembro ser o mês dos recomeços, do retomar de projectos, dos múltiplos regressos? Será que isto significa que a maioria das coisas que fazemos não nos proporcionam prazer suficiente para as retomarmos sem amarguras?
Não, recuso-me a ter esta visão tão negativa da nossa existência. Opto antes pela teoria de que as férias estimulam a região cerebral responsável pelas sensações de prazer mas que posteriormente tem o efeito preverso de nos tornar mais exigentes. Quando regressamos ao trabalho, já não nos deixamos encantar com aquilo que nos espera, maravilhados que estávamos com o papo para o ar, o sol na barriga e os pézinhos na areia. Depois, quanto maior tiver sido a subida maior será a queda. Leia-se, quanto melhores tiverem sido as nossa férias (com o centro do prazer cerebral ao rubro) mais infelizes nos sentimos no regresso, no trocar o papo para o ar pelo assento de uma cadeira, o sol na barriga pela luz do candeeiro de lâmpada fluorescente, os pés na areia, pelo sapatinho de salto alto.
Mas, a boa notícia é que isto passa, o tempo nestas situações revela-se um aliado e encarregar-se-á de colocar o nosso sistema limbico no seu devido lugar, sem exigências de maior e aí voltamos a ter prazer naquilo que, por momentos, nos parecia impossível.
Atenção que esta teoria é minha, facilmente refutável por um entendido em neurologia mas cada um acredita naquilo que quer, e mais não digo.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Procura-se...

o meu bom humor. Perdi-o há uns dias e nunca mais o encontrei. Já encetei várias buscas ao seu paradeiro mas não parece querer aparecer. Peço a quem o encontre que mo devolva rapidamente para meu bem e daqueles que me rodeiam! É que já nem eu me suporto!

Como o caso é urgente a recompensa será de um post todos os os dias!

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Nasceu...

... um novo aroma na minha vida.

Ele teve pressa em nascer e eu tive pressa em ir vê-lo. Peguei no carro e fui ao seu encontro. Era grande a curiosidade em conhecer o rosto que até então existia apenas na minha imaginação.

Fomos então formalmente apresentados. Eu olhei para ele de olhos ansiosos, ele olhou para mim com os seus olhos ávidos pelo mundo, mas ainda demasiado ofuscados devido às suas poucas horas de vida. Eu cumprimentei-o com um suave toque na sua pequena mãozinha, ele presenteou-me com um esgar que interpretei como sendo uma saudação. Embrenhámos numa deliciosa conversa durante todo o tempo de que pude dispender e amei cada minuto!

Finalmente nos conhecemos bebé. Acho que nos vamos dar muito bem!

domingo, 3 de setembro de 2006

E porque hoje me apetece ler poesia e porque a poesia embeleza qualquer prosa, e porque me orgulho dos poetas que esta nação viu nascer, inauguro os posts da semana com um magnífico poema de Eugénio de Andrade.

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer


Eugénio de Andrade

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Fui etiquetada por uma amiga da blogosfera e aceitei o desafio. Por isso aqui seguem meia dúzia de características escolhidas as acaso e que revelam um pouco da minha pessoa:

1- sou adepta fervorosa da "boa vida" por isso adoro passear, viajar, conhecer sítios novos, novas tendências, cafés, restaurantes, hotéis, recantos deste país, encantos de outros;

2- Para levar avante o lema da "boa vida" tenho uma outra característica que me ajuda, sou muito curiosa. Gosto de saber, de procurar e de usufruir do prazer de encontrar, de descobrir, de saber mais;

3- sou seduzida pela originalidade e criatividade nas pessoas, nos lugares, nos poemas, nas músicas, nos filmes e em quase tudo o que me rodeia;

4- adoro compras e não se pense que é só em coisas de gaja. Pronto confesso que comprar roupa e sapatos da nova colecção me dá especial satisfação, mas o prazer de gastar dinheiro estende-se a outros domínios, desde cremes a livros e CDs, desde colares a electrodomésticos, desde revistas a viagens;

5- sou organizada, sei onde está tudo e não me dou bem com a desarrumação;

6- sou muito analítica, penso muito sobre as situações, gosto de perceber as minhas reacções e as dos outros, gosto de compreender, gosto de estudar as causas das coisas.

Não passo a etiquetagem a ninguém em concreto mas dirijo o convite a quem me lê e queira aceitar o desafio.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Não é fácil...

...o regresso ao trabalho depois de férias. Padeço daquilo que chamo "o síndroma do regresso forçado", estado em que a separação entre corpo e mente é mais visível que nunca. O meu corpo permanece no meu local de trabalho mas a minha mente passou a um estado borboleta, voa de flor em flor.

Já tentei todas as técnicas de concentração mas todas se revelaram infrutíferas, o que se comprova facilmente pelo aumento diário da pilha de papéis que tenho na minha secretária. Por esta altura já devia ter diminuido um bocadinho mas ao invés disso, só tem aumentado!

Felizmente que nesta história toda conto com a ajuda de dois preciosos aliados: o calor porque camufla a minha inércia e torna-a justificável e o mês de Agosto em que a maioria das pessoas ou está de férias ou está como eu.

Ao menos isso.

sábado, 26 de agosto de 2006

Regresso repleto de aromas

Eis-me de regresso após uma breve pausa onde me deliciei com variadas iguarias aromáticas. Fui presenteada com aromas antigos revividos com prazer e com aromas novos explorados intensamente. Todos eles permanecem agora cuidadosamente arquivados no armazém da minha memória, espero que em stock suficiente para fazer face às necessidades que se esperam proximamente.

Foram boas, muito boas as minhas férias...uma catadupa de aromas

Aromas a cidade, a gente, a movimentação, a trânsito e a esplanadas, a compras, a arte, a caminhadas.




Aromas a estrada, a asfalto, a folhas de mapas, a planícies, a música.



Aromas a terra, a castelo de contos de fadas, a jardins.




Aromas a chuva, a calor, a vento, a flores.



Aromas a praia, a mar, a barcos, a areia, a páginas de um livro, a descanso, a pensamentos brandos, a paz de espírito.

sábado, 12 de agosto de 2006

AROMAS EM PAUSA






VOTAREMOS EM BREVE COM NOVA COLECÇÃO

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Ferias

Neste momento o aroma a férias já foi eficazmente captado pelo meu sentido do olfacto, já percorreu o sinuoso caminho das minhas ligações neuronais até à majestosa hipófise e já transformou o meu corpo num contentor de serotonina, endorfina e mais umas quantas hormonas responsáveis por mandar embora a tristeza.

Se estou louca? Não...estou simplesmente de FÉRIAS

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

outra vez

- "Outra vez o terror!"
Foi esta a frase que proferi quando logo pela amanhã me ligo à net e me defronto com a notícia de um plano terrorista para fazer explodir bombas a bordo de aviões. Estamos na era do medo na sua expressão mais enfatizada, o pavor. De que nos servem as técnicas de relaxamento, os iogas, os ansiolíticos, as psicoterapias se, num ápice, os seus efeitos benéficos são contrariados por um grupo de pessoas que investem apenas na criação do terror.

O pior mesmo é que este medo não é meramente fruto de uma ameaça mas da concretização de actos atrozes.
Que pena o mundo ter de ser assim! Que pena haver aromas a fumo, explosivos, dor e sofrimento quando podia haver aroma a flores, frutos, tolerância e amizade!

terça-feira, 8 de agosto de 2006

contagem decrescente

Estou na contagem decrescente para as minhas merecidas férias! Perdoem-me a imodéstia mas neste ano são mesmo, mesmo merecidas.

Irei ter umas férias calmas, desta vez free of planes, para contrastar com o nível de ansiedade que tem assinalado este meu início de ano.

Infelizmente não irei mergulhar nas águas do meu anterior post, essas ficarão para uma outra oportunidade, pois desta vez mergulharei em águas mais próximas (pronto ok e também mais frias, brrr!!!).

O que interessa é que estes (poucos mas bons) dias de férias que estão quase a chegar me sirvam para renovar forças e recuperar energias para manter o meu optimismo e bom humor ao rubro.

Ainda volto aqui antes de férias! Este post foi mesmo só para assinalar a contagem decrescente! E o meu contentamento!
três, dois, um...

domingo, 6 de agosto de 2006

Fogo que arde e que se vê

Estamos em plena época oficial de incêndios, designação que, pessoalmente, acho detestável primeiro porque me soa a legitimização de um acontecimento que muitas das vezes poderia ser evitável, segundo porque apesar de ter sido criada não me parece que tenha favorecido a diminuição de tão insuportável flagelo.

São muitas as causas que poderão estar por detrás de tão grande número de fogos no nosso país, vagas de calor, florestas mal tratadas, falta de vigilância, comportamentos descuidados, actos voluntários, interesses económicos, etc, etc. mas em todas elas a consequência é só uma: a destruição.

Como detesto todas as formas de destruição, sinto-me verdadeiramente incomodada com as notícias sobre incêndios, e só quem nunca passou por um local que tenha sido vítima de um incêndio, poderá não sentir o mesmo. O cheiro, as cinzas, o nada onde já houve tudo, deixam na memória uma marca inesquecível.

Infelizmente os incêndios são cada vez mais presenças assíduas nos nossos Verões, aparecem sem serem convidados e não se vão embora quando se lhes pede. Pelo contrário insistem em permanecer nos mais inóspitos lugares ceifando toda a espécie de vidas e transformando o prazeiroso Verão num presente envenenado.

Receio a sua banalização, receio que quem deles tira proveito vença quem os pretende eliminar, receio que a sua prevenção seja preterida pelo seu remedeio, receio que o verde português desmaie e dê lugar ao cinza, receio que espécies de animais se extingam de vez, receio que o património natural deste pequeno país fique irremediavelmente abalado.

Este é um aroma de que não gosto!
Este é um aroma que não gostaria de ver repetido todos os anos!

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Nestas férias...

...gostava de ir aqui


...Ao paraíso na terra,
...onde a beleza abunda
...onde o amor e uma cabana não é uma metáfora,
...onde o azul do céu e do mar se confundem presenteando-nos com uma paleta maravilhosamente unicolor

domingo, 30 de julho de 2006

Aromanostalgia

Assolada por mais um momento introspectivo, hoje dei por mim a pensar se seria uma pessoa saudosista (esclareço, desde já, que para efeitos deste post, falarei de saudosimo como uma saudade de acontecimentos passados, não de pessoas).

É que apesar das lembranças de acontecimentos passados serem temas frequentes de animadas e prazeirosas conversas entre amigos, sou daquelas pessoas que, tendencialmente, não gostaria de os reviver pois considero que o momento actual é sempre o melhor momento. Ou seja, gosto de recordar o passado mas faço-o sem mágoa, mas antes com a perspectiva de que esses momentos passados foram a contribuição fundamental para o meu património íntimo pessoal e para a minha individualidade.

No entanto,há acontecimentos que, inevitavelmente, recordo com saudade, não propriamente pelo desejo de os reviver, mas pelos bons afectos que me transmitem, pelas boas lembranças que me proporcionam: quando brincava na rua às escondidas com mais uma dezena de vizinhos, quando a turma da Mónica e do Cebolinha eram os meus heróis, quando feriado significava não ter uma aula, quando acampar ainda me despertava alegria, quando as melhores noites eram as passadas na casa das amigas, quando folículos, nidação e afins eram apenas conceitos das aulas de biologia, quando as revistas Bravo (em alemão) enchiam as minhas gavetas.

Chego assim à conclusão que as saudades não vêm do acontecimento em si mas dos sentimentos que estes nos proporcionavam! Por isso não adianta repetir os acontecimentos passados (eu podia comprar todos os almanaques da Mónica e do Cebolinha que concerteza não iria achar a mesma piada), trata-se antes de procurar outros acontecimentos que nos transmitam sentimentos idênticos. E aí reside a criatividade da vida! A saudade deverá existir em cada um de nós não como uma mágoa, mas como a forma de não nos fazer esquecer que a vida pode ser bela!

terça-feira, 25 de julho de 2006

Aroma a praia

Gosto tanto de praia! E de tudo que com ela se relaciona: o aroma a mar, a areia sob os pés, o barulho das ondas, o Sol a tocar na pele, o gosto a sal, os srs. dos gelados e das bolas de Berlim, o gargalhar das crianças.

Só tenho pena que não consiga usufruir dela com o verdadeiro deleite que ela me merece. Isto porque ir à praia aos fins de semana durante os meses de Julho e Agosto pode transformar qualquer sonho em pesadelo. No entanto, para que este prazer se mantenha imperturbado, opto por escolher aquelas que sei que me permitirão usufruir das suas qualidades sem olhar aos seus defeitos.
E sabe tão bem!

terça-feira, 18 de julho de 2006

Que seja o 44

É tudo tão volátil que ainda ontem me defrontava com um sol abrasador culpado por um calor insuportável capaz de fazer dilatar tanto as minhas veias como a minha má disposição, e hoje contemplo pela minha janela umas nuvens cinzentas de meter medo, um vento que se faz bem ouvir e uma sensação iminente de tempestade.

Vamos ver se amanhã o meio termo impera porque em questões metereológicas, e principalmente quando estou a trabalhar não gosto nem do 8 nem do 80 e simpatizo fortemente com o 44.

A única vantagem de dias quentes alternados com dias de chuva é mesmo o aroma inconfundível e insubstituível da terra molhada.

Mais um aroma de amora!

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Grito



Hoje, ainda que por momentos, senti-me assim. Um grito interior a sufocar-me a alma mas que não teve qualquer projecção nas cordas vocais. Ninguém deu por ele.
Estou farta das injustiças, dos pensamentos viciados, do querer e não poder, do andar e não avançar um passo, das incertezas, das esperas, das angústias, do chorrilho de emoções, da intranquilidade, da sofreguidão por querer saber mais, sempre mais.

O grito terá de sair!

terça-feira, 11 de julho de 2006

Au Revoir

Este fim de semana foi profícuo em aromas ou não tivesse eu ido à cidade dos perfumes.

Gosto essencialmente da grandiosidade dos seus monumentos, da história que se respira, do romantismo que as luzes conferem à noite, dos jardins que apadrinham a troca de beijos, da serenidade do seu rio constrastada pela movimentação das suas ruas.
Não gosto da onerosidade das coisas, da arrogância, do mau serviço, da sujidade das ruas, da sua fama exagerada.

Foi um fim de semana bonito, palco de um aniversário que não irei esquecer, com a minha melhor companhia. Uma prenda inesquecível!

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Retorno da ideia

Não sei se inspirada pela mudança de faixa etária mas decidi a partir de agora dar vida à minha ideia original: fazer deste espaço a minha aromaterapia, elegendo os aromas como a metáfora ideal para traduzir as pequenas coisas da vida.