Creio que é mais fácil ser-se feliz quando se tem as necessidades e os desejos concretizados, quando se obtém aquilo que se quer ou quando se retira prazer de uma qualquer acção que se faz. Mas, para mim, este não é o verdadeiro desafio da felicidade. Esta é a felicidade garantida mas também com efemeridade assegurada. É sabido que o ser humano é insatisfeito por natureza e que após a satisfação de uma necessidade básica se direcciona para a satisfação de uma necessidade de nível superior e assim prossegue numa busca sem fim. Se a felicidade dependesse exclusivamente da satisfação de necessidades não poderiam existir pessoas satisfeitas que não fossem felizes nem pessoas felizes que não estivessem satisfeitas. A verdade é que a felicidade é mais exigente do que isso, para singrar faz-se valer da nossa actuação perante a vida.
Por isso, e excluindo obviamente a presença de acontecimentos tão trágicos em que seria, de todo impossível ficar-se feliz, a não ser que estivéssemos perante um caso de frieza patológica de sentimentos, possuo algumas crenças relativas à felicidade. Eu acredito que a felicidade não depende do acontecimento em si mas da atitude pessoal perante o acontecimento, eu acredito que a felicidade pode ser trabalhada e decidida, eu acredito que posso escolher ser feliz e acredito que é possível ser-se feliz na contrariedade, na frustração e na dificuldade.
Eu acredito que na felicidade podem haver momentos de tristeza, numa coexistência pacífica, desde que moderados por alguém disposto a ser feliz.
Mas também acredito que a predisposição para a felicidade tem de ser alimentada, pois não sobrevive à escassez daquele que é o alimento universal. Falo do amor, do amor em todas as suas formas, do amor dirigido aos outros e a si mesmo.
E por aqui me permito terminar esta prosa, defendendo com a eloquência que a minha escrita me permite:




























